O bispo do Porto revelou esta sexta-feira ter denunciado às autoridades um «caso grave de comportamento de um sacerdote», fora desta diocese e ocorrido em 2003, episódio comunicado pelo antigo padre de Canelas, Vila Nova de Gaia.

António Francisco dos Santos refere, em comunicado enviado à Lusa, que numa troca de correspondência com o ex-padre de Canelas, Roberto de Sousa, destituído da paróquia este mês, motivando ações de protesto da população, este ameaçou revelar um «episódio grave».

«Não conheço o sacerdote que o Padre Roberto refere. Não é sacerdote da Diocese do Porto. Mesmo assim, dada a gravidade do caso denunciado, dei a conhecer a sua carta, de imediato, às autoridades competentes», adianta.

A decisão de afastar o padre Roberto de Sousa da paróquia de Canelas foi tomada em finais de julho pela Diocese do Porto, tendo chegado a haver um recuo a meio de setembro, mas a determinação ficou concretizada no início de novembro.

Não obtendo explicações pelo seu afastamento, os populares organizaram várias ações de protesto, um abaixo-assinado e, no passado domingo, aquando da receção ao novo padre os ânimos exaltaram-se, obrigando a intervenção policial.

O bispo do Porto nunca se quis pronunciar sobre o tema, mas esta sexta-feira divulgou que pediu ao padre Roberto de Sousa para assumir «uma nova missão» na Vigariaria de Lousada ou do Marco de Canaveses.

O sacerdote salientou que ao deixar Canelas não queria assumir trabalho paroquial, preferindo ser capelão militar ou hospitalar, frisou António Francisco dos Santos.

«Recebi uma carta sua [padre Roberto de Sousa] a comunicar-me a decisão de cessar o múnus de pároco em Canelas, no dia 8 de setembro. Só permaneceria pároco caso eu pedisse pública desculpa à comunidade de Canelas pelos danos causados, demitisse o Senhor Vigário Geral, Padre António Coelho de Oliveira, e desautorizasse expressamente o Senhor Bispo Auxiliar, D. Pio Alves de Sousa», disse o bispo no comunicado.

E acrescentou: “quero que o Padre Roberto sinta que procuro o seu bem, que atendo à sua proposta, feita no primeiro encontro que teve comigo, e que acredito que irá fazer do seu melhor no novo trabalho que me disse gostar. Manifestei-me disponível para a partir de 30 de outubro fazer o decreto de nomeação e lhe conferir posse do novo múnus”.

Já o Gabinete de Comunicação da Diocese do Porto, igualmente em comunicado, «repudia veementemente» os «graves acontecimentos» ocorridos no passado domingo, em Canelas.

«Colocam em causa a vida cristã das pessoas, a unidade da Igreja e a paz social e desfiguram o rosto e a alma de uma comunidade cristã», adianta.

O novo padre, Albino dos Reis, merece o respeito de todos e a liberdade para cumprir o seu múnus sacerdotal nas paróquias que lhe estão confiadas, refere o documento.