A Procuradoria de Paris confirmou esta terça-feira a prisão preventiva do empresário português António de Sousa, um emigrante que fez fortuna no ramo da construção civil e do imobiliário.

"Confirmo que ele está em prisão preventiva e que é suspeito de tráfico de influência ativa, abuso de bens sociais e cumplicidade de abuso de bens sociais", disse à Lusa Agnès Thibault Lecuivre, porta-voz da Procuradoria de Paris.

A responsável afirmou não excluir o envolvimento de outros portugueses na investigação e também confirmou que o inquérito estabeleceu ligações entre António de Sousa e um responsável nacional da polícia Alain Gardère, também suspeito de corrupção, apropriação indevida de bens, peculato, abuso de autoridade e recetação de bens sociais.

António de Sousa é presidente da France Pierre, uma empresa grupo De Sousa Frères, criado em 1965, e que "realiza quase 1.000 alojamentos por ano", com mais de 700 colaboradores, de acordo com a página internet da France Pierre.

A mesma página mostra alguns dos empreendimentos da empresa como a compra e transformação do château de Lavagnac, conhecido como "o pequeno Versalhes do Languedoc".

No palmarés das maiores empresas portuguesas em França,elaborado pela Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, a France Pierre surge em quinto lugar com um volume de negócios acima dos 80 milhões de euros.

A 5 de maio, o jornal Le Parisien avançou que o empresário português estava detido desde 13 de abril, lembrando que António de Sousa fez fortuna na construção civil e que tem uma impressionante coleção de cavalos de corrida.

"Desde 1982, [António de Sousa] dirige cerca de 30 empresas, tornou-se no rico coproprietário de dezenas de craques das pistas que disputaram mais de cinco mil corridas e conquistaram quase 600 vitórias", escreveu o jornal, acrescentando que o empresário tem cerca de 70 cavalos de corrida.

Também o jornal Equidia assinalou a prisão preventiva do empresário, sublinhando que ele tem "74 cavalos de corrida e somou 561 vitórias".

De acordo com o Le Parisien, o inquérito sobre a empresa France Pierre está aberto desde agosto de 2013 para conhecer "as condições em que o grupo imobiliário obteve muitos concursos em várias comunas na Ile-de-France", explicando que o inquérito investigou as ligações do empresário ao prefeito Alain Gardère, "um próximo do antigo ministro do Interior Claude Guéant".

António de Sousa foi também diretor-geral da CLP TV, um canal de língua portuguesa criado em Paris entre 2006 e 2008, fruto da iniciativa de um grupo de 20 empresários portugueses radicados em Paris e que foi liquidado a 1 de dezembro, por motivos de falência.