O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), classificou esta segunda-feira os incidentes de domingo no bairro Portugal Novo, nas Olaias, como um «caso de polícia» que «transcende em absoluto o município», refere a Lusa.

«Neste momento aquele é um caso de polícia», disse António Costa, após um encontro com a governadora civil de Lisboa, Dalila Araújo, sobre questões de segurança e policiamento na cidade.

O autarca respondia aos jornalistas sobre a intervenção do município num bairro que um relatório policial no início do ano identificou como uma zona de potenciais conflitos.

António Costa sublinhou que as habitações em causa não são propriedade do município, pertencem a uma cooperativa, e que «não compete à Câmara substituir-se aos proprietários».

«As casas têm um proprietário, que é uma cooperativa. O abandono da gestão há mais de vinte anos, não transforma a cooperativa numa entidade inexistente», argumentou.

Quanto aos incidentes, Costa frisou: «Assaltar uma casa ou dar tiros não é um problema urbanístico, é um crime».

«É um problema que transcende em absoluto o município», afirmou.

Entretanto, a governadora civil de Lisboa afirmou esta segunda-feira ter iniciado contactos junto das comunidades cigana e de origem africana que protagonizaram os conflitos de domingo no bairro Portugal Novo, nas Olaias, mas as comunidades não estão organizadas em associações.

«Tentei falar com associações, mas as comunidades não estão organizadas», disse Dalila Araújo aos jornalistas, após um encontro com o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, sobre segurança e policiamento na capital.

A governadora civil explicou que não existem associações nem de moradores nem representativas das comunidades cigana e de origem africana residentes no bairro.

Dalila Araújo contactou a organização católica Pastoral dos Ciganos e iniciou outros contactos no bairro, que já visitou depois dos incidentes de domingo.