É um dos medicamentos fundamentais na maioria dos armários de medicina, o analgésico de eleição para dores de cabeça, dor nas costas e dor muscular. O Ibuprofeno tem mais de 50 anos e é uma das drogas anti-inflamatórias não esteroides mais populares. O medicamento reduz a inflamação, bloqueando as enzimas (COX-1 e COX-2) necessárias para fazer as prostaglandinas, que são substâncias químicas libertadas pelo organismo em resposta a lesões ou doenças e que causam dor, inchaço ou febre. Infelizmente, as prostaglandinas também protegem o revestimento do estômago, reduzindo a produção de ácido e o aumento de muco. O bloqueio de prostaglandinas pode, por isso, causar hemorragias e úlceras de estômago, especialmente em pessoas mais velhas.

De acordo com o jornal inglês «The Guardian», a informação sobre as indicações terapêuticas do Ibuprofeno é conhecida há anos, mas, mais recentemente, algumas drogas anti-inflamatórias não esteroides têm sido associadas ao aumento do risco de ataque cardíaco (tomadas em doses elevadas levam a um ataque cardíaco fatal em cada mil pessoas por ano), Acidente Vascular Cerebral (AVC) e danos no intestino delgado.

De acordo com o Alessio Fasano, diretor do Centro de Pesquisa Celíaca no Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, os anti-inflamatórios não esteroides podem, em pessoas geneticamente predispostas, também aumentar o risco de doença celíaca.

Então, em vez de Ibuprofeno, é hora de se voltar a tomar paracetamol?

O especialista refere que todos os medicamentos têm efeitos colaterais e muitas pessoas podem tomar Ibuprofeno em segurança. Quando são eficazes, as drogas anti-inflamatórias não esteroides reduzem a dor para metade. O paracetamol não é tão eficaz e tem riscos próprios, em que doses superiores às recomendadas podem causar danos no fígado. É prudente falar sempre com um médico ou farmacêutico antes de começar a tomar um anti-inflamatório não esteroide. Este tipo de medicamento deve ser evitado por quem tem asma, tenha tido um ataque cardíaco, um derrame, úlcera no estômago ou doença renal, ou ainda se estiver a tomar certos medicamentos, por exemplo, para tornar o sangue menos espesso.

Se precisar de tomar anti-inflamatórios não esteroides para a dor e não tem nenhuma razão médica para não os tomar, os benefícios são suscetíveis de compensar os riscos.