Anthímio José de Azevedo, o meteorologista mais popular de Portugal, morreu esta segunda-feira, aos 88 anos, informou o Instituto do Mar e da Atmosfera. Anthímio de Azevedo foi colaborador da TVI entre 1992 e 1996.

«O desaparecimento de Anthímio de Azevedo deixa a meteorologia nacional de luto, e em especial o Instituto Português do Mar e da Atmosfera onde desenvolveu uma grande parte da sua atividade profissional, e onde foi um dirigente relevante», diz o instituto em comunicado.


Anthímio José de Azevedo nasceu em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, Açores, a 27 de Abril de 1926. Frequentou o Liceu Antero de Quental e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde se formou em Ciências Geofísicas.

Meteorologista de profissão tornou-se um dos rostos mais conhecidos da televisão, tendo dado a cara pela meteorologia portuguesa na televisão pública desde 1 de Novembro de 1964 a 1967, de 1971 a 1977, e de 1981 a 1990, altura em que este serviço foi interrompido pela primeira vez.



Anthímio de Azevedo teve um extenso percurso profissional no Serviço Meterorológico Nacional e no Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, predecessores do atual Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Foi diretor do Serviço Meteorológico da Guiné de 1967 a 1971 e de 1976 a 1977, neste período como perito da Organização Meteorológica Mundial, tendo coordenado a organização do novo Serviço Nacional e a formação dos seus quadros. Foi ainda Delegado Nacional ao Grupo de Códigos da Organização Meteorológica Mundial (1975-1990) e ao Grupo de Meteorologia do Comité Militar da OTAN (1986-1992). O último cargo institucional foi o de diretor do Serviço Regional dos Açores, na sua terra de nascimento e de coração.

Numa entrevista dada em Setembro de 2010 considera: «Deu-se um grande salto no tempo de análise e previsão. Quando começamos a trabalhar com análise e previsão por computador, com as observações das 18h TUC tínhamos a previsão, para o dia seguinte, por volta das 04h. Agora, por volta das 04hTUC, temos a previsão para 4 dias e, um pouco mais tarde, para 10 dias e a 30 níveis na atmosfera».

Após a aposentação do serviço público manteve intensa atividade de divulgação da previsão meteorológica, em particular na TVI entre 1992 e 1996. Em fevereiro de 2012, o meteorologista esteve no Jornal das 8 da TVI, para comentar a situação de seca que o país enfretava. 



Dedicou-se à escrita e tradução de livros científicos, com foco na meteorologia e climatologia e interesse particular pela ciclogénese, os fenómenos de tempo adverso e a mudança climática.
 

«Anthímio de Azevedo foi durante toda a vida um apaixonado pela Meteorologia, um grande comunicador e um grande profissional», refere ainda a nota do Instituto.