A Associação Nacional de Sargentos da Guarda (ANSG) alertou, esta sexta-feira, para «a gravidade» dos cortes previstos na administração interna para 2015, considerando que vão «deteriorar as condições de trabalho» dos militares da GNR e reduzir a sua capacidade operacional.

«A ANSG considera os cortes na administração interna como um conjunto de medidas aviadas sem receita, que vão deteriorar as condições de trabalho dos militares da Guarda Nacional Republicana, infligindo golpes de camartelo na redução da sua capacidade operacional, já por si debilitada quer pelo desgaste profissional, quer pela pressão psicológica subjacente», refere associação que representa os sargentos da GNR,

Num comunicado enviado à agência Lusa, a ANSR alerta para a gravidade dos cortes previstos no Orçamento do Estado para 2015 para a área da segurança interna, que vai sofrer uma diminuição de 4,2 por cento face a 2014, sublinhando que vão «acentuar a precaridade da função dos agentes que velam pela segurança dos cidadãos».

A associação dos sargentes da GNR adianta que 92 por cento do orçamento da administração interna se destina a despesa com pessoal e o restante é direcionado para despesas correntes, pelo que, se corre o risco de ficar afetada a capacidade de resposta e a «disponibilidade e empenho dos próprios militares da GNR».

A ANSG considera também que o «orçamento limitador» vai atingir «inevitavelmente a elevada componente formativa em que esta instituição vem apostando nas últimas duas décadas», prevendo-se «um verdadeiro retrocesso institucional no que respeita à formação dos seus quadros, com evidentes reflexos negativos no cabal desempenho da missão».

Na quinta-feira, na Assembleia da República, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, afirmou que em 2015 vai haver «mais formação e treino» e vão existir os «instrumentos necessários» para garantir a capacidade operacional das forças de segurança.

«Temos dado no MAI provas que executamos com rigor os orçamentos que temos para executar e temos dados provas que nunca, ao longo destes três anos, faltou aquilo que era absolutamente essencial para manter a capacidade operacional das forças de segurança, e assim vai continuar a ser», sustentou.

A Associação Nacional de Sargentos da Guarda diz ainda que «fazer melhor com menos é uma falácia e, em termos operacionais, uma ficção».