As colocações através de Bolsa de Contratação de Escola (BCE) se vão «arrastar por mais umas semanas», acredita a Associação de Professores Contratados. Tudo por causa da subjetividade dos critérios e dificuldades na comprovação de dados da BCE, argumentam.

«O processo decorre de forma muito lenta. Isto vai arrastar-se por mais umas semanas. Preocupa-nos os alunos que ainda não tiveram aulas», disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Professores Contratados (ANVPC), César Paulo.

De acordo com o responsável associativo, a subjetividade dos critérios subjacentes às candidaturas dos professores leva a diferentes interpretações por parte dos diretores e dos professores relativamente ao peso de cada um dos critérios.

«É um modelo que está a permitir muitas ultrapassagens». César Paulo acredita que, na forma como está a decorrer, a BCE «consegue ser pior» do que o modelo de oferta de escola que veio substituir, e que atribuía 50% da avaliação que determinava a colocação ou exclusão dos professores com base em entrevistas pessoais.

O presidente da ANVPC diz que há critérios que não têm qualquer relação com a atividade de um professor. «Isto vem dar força ao que sempre dissemos: há um problema conceptual de construção da BCE, bem maior do que qualquer problema informático que possa existir».

A isto, acrescentou, junta-se a dificuldade que os docentes têm sentido na comprovação junto das escolas de que cumprem os requisitos pedidos para os horários, que podem passar, por exemplo, por ter de comprovar o número de horas de aulas dadas a alunos com necessidades especiais.

Num caso como este, o docente poderia ter que ser obrigado a contactar todas as escolas onde lecionou em turmas com alunos com necessidades especiais para pedir a certificação dessas horas, correndo o risco de a escola já não ter os registos ou forma de comprovar.

De acordo com César Paulo há inúmeros horários anuais ainda por preencher nas escolas com contrato de autonomia e escolas TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), e às necessidades das quais a BCE pretende dar resposta.

Como para colocações em horários anuais os docentes têm um período de denúncia de um mês, isso significa que horários atribuídos hoje podem ter que voltar a concurso nas próximas semanas, se o docente optar por o denunciar, por ter tido uma oferta melhor.

«Os horários em falta não são apenas casos residuais como disse o ministro. Não são apenas substituições de doentes e grávidas. Há um número grande de alunos sem aulas neste momento. Isto não é recuperável, é um ano perdido».

Depois de o ministro da Educação, Nuno Crato, ter afirmado no parlamento que, no próximo ano letivo, «não haverá experimentalismos», César Paulo disse hoje que espera que o ministro «considere experimentalismo trabalhar sobre este modelo de BCE». «Espero que considere que este modelo não é recuperável. Defendemos a lista nacional e a graduação profissional, que é um modelo que os professores consideram funcional», acrescentou.

Além do caso extremo de um docente que conseguiu mais de uma centena de colocações através deste modelo da BCE, César Paulo diz que há muitos outros com dezenas de colocações, contribuindo para atrasar a chegada dos professores às escolas.