O presidente da Câmara de Benavente disse à agência Lusa que a atividade “touros de fogo” foi retirada do programa da Festa da Amizade, depois de ter recebido um parecer desfavorável da Direção-Geral de Veterinária.

Carlos Coutinho afirmou que o incidente ocorrido na madrugada de sábado, durante a festa que decorreu no final da semana na vila, não se enquadra no chamado “touros de fogo” que se pratica em Espanha. Aí são colocados nos cornos do touro panos embebidos num líquido inflamável posto a arder enquanto o animal corre num espaço aberto, provocando queimaduras e ferimentos.

O autarca disse à Lusa que a atividade havia sido colocada no programa sem conhecimento prévio do município, que apoia a festa organizada pelas comissões da Sardinha Assada e da Picaria. Na quinta-feira foi decidido cancelar a prática, depois de ser reconhecido que esta não é uma tradição do concelho e de ser recebido o parecer da Direção-Geral de Veterinária, pedido pelos organizadores.

O que aconteceu não foi ‘touros de fogo’. Algumas pessoas decidiram colocar uma pequena estrutura em ferro acoplada aos cornos de um touro, onde colocaram pequenos foguetes usados nos bolos de aniversário que arderam durante 30 ou 40 segundos. Não provocou qualquer ferimento no animal, ao contrário do que sucede em Espanha”, disse Carlos Coutinho, que lamentou o sucedido.

O autarca sublinhou a ligação das populações ao touro e ao cavalo, num concelho que possui das maiores concentrações de ganadarias do país, dadas as condições do seu território.

As imagens chocantes passadas (nas redes sociais) não correspondem ao que aconteceu”, disse, sublinhando que “a gente de Benavente não é bárbara, sabe viver as suas festas e respeitar o touro bravo”.

Inquérito em curso

Questionado sobre a decisão do Ministério Público de abrir um inquérito crime sobre o sucedido na Festa da Amizade, Carlos Coutinho afirmou que fica a aguardar o resultado de um procedimento que “seguramente há de avaliar a situação”.

Na nossa opinião, o que aconteceu não configura crime, porque não houve ‘touros de fogo’”, atividade que “nem sequer faz parte da tradição” de um concelho, que tem a sua história, assente no touro, no cavalo e no campino, e que gosta de a celebrar “com alegria e em convívio”.

A secção de Benavente do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) – comarca de Santarém – disse à Lusa que foi determinada a “abertura de inquérito para efeitos de investigação da eventual prática de crime relacionada com a atividade ‘touros de fogo’”.