As operações do Estado Islâmico provocaram uma angústia crescente nas últimas semanas, na comunidade internacional. A lutar pelos ideais de um islamismo radical, há combatentes de todo o mundo, incluindo pelo menos 12 cidadãos portugueses. Entre eles, o casal Ângela e Fábio.

Ela tem 19 anos e foi emigrante na Holanda. Juntamente com o marido, Fábio, trocaram a vida europeia, pelo cenário escaldante e controverso do radicalismo religioso, num percurso muito marcado pelos contactos na Holanda, onde a TVI procurou perceber as possíveis motivações destes jovens, que assumiram uma atitude que surpreende as próprias famílias. 
 
Desde cedo que Ângela mostrou ter ideais diferentes. A curiosidade levou a que se interessasse cada vez mais pela religião muçulmana. No ensino secundário, mudou de escola: foi estudar para Amsfoort, onde passou a frequentar uma escola profissional e a querer saber cada vez mais sobre o Islão. A família desvalorizou as pequenas mudanças.

Aos 18 anos, tomou uma das maiores decisões da sua vida: converteu-se ao Islão. Desistiu dos estudos e passou a dedicar-se aos outros. Arranjou um trabalho, onde tomava conta de idosos. O último ano de tempo livre que lhe restava era praticamente passado em frente ao computador.

Na Internet, demonstrava interesse sobre o Estado Islâmico e terá sido através do Facebook que, num curto espaço de tempo, conheceu Fábio Poças. Começaram a partilhar pensamentos, apaixonaram-se, apesar da distância. Em comum, tinham o sonho de viver num mundo diferente.

O presidente dos EUA,  Barack Obama, admitiu no domingo passado que o Estado Islâmico foi subestimado. Da parte de Portugal, embora o país apoie a coligação internacional que pretende travar e anular a expansão do movimento jihadista, o Presidente da República já veio garantir que não está previsto qualquer envio de militares portugueses para o terreno. 

O facto é que, nos últimos dois meses, o mundo tem assistido, horrorizado, ao que se passa no norte do Iraque e em vastas áreas da Síria. As imagens difundidas pelos extremistas revelam uma organização terrorista brutal, mas também uma máquina de fazer dinheiro e que assume a ambição de estender um novo califado até à Península Ibérica.  Afinal, o que é o Estado Islâmico?