A Associação Nacional das Farmácias (ANF) garante estar «muito tranquila» em relação à investigação da Autoridade da Concorrência (AdC) iniciada na sequência de uma queixa da indústria farmacêutica por alegada «distorção da concorrência», escreve a Lusa.

Segundo o «Diário Económico», em causa está a aquisição de uma marca própria de genéricos, a Almus, pela ANF, o que pode colocar os concorrentes em desvantagem.

Violação das leis da concorrência

A ANF tem também uma posição maioritária na Alliance Healthcare, a maior distribuidora de medicamentos, o que, para os laboratórios, também violará as leis da concorrência.

o actual presidente da associação e líder da Lista B às eleições de 21 de Março para a direccção da ANF, defende, no programa eleitoral, a aplicação unilateral pelas farmácias de várias medidas.

A partir de 1 de Abril, João Cordeiro defende, nomeadamente, que o stock da farmácia seja reduzido a dois medicamentos genéricos de cada substância activa na mesma dose e forma farmacêutica, em termos idênticos aos praticados pelos hospitais. Defende ainda a dispensa de medicamentos pela Denominação Comum Internacional (DCI).

«Muito tranquila»

À Lusa, fonte da ANF disse ainda que a associação «está muito tranquila» em relação à queixa apresentada pela Apifarma.

«A ANF aguardará de forma serena o contacto da AdC sobre a matéria», afirmou a mesma fonte.

Por seu lado, fonte da AdC confirmou à Lusa a recepção da queixa, que deverá ser analisada o «mais rapidamente possível».

O outro candidato às eleições da ANF, João Ferro Baptista, criticou anteriormente as propostas de João Cordeiro, que «incentivam à desobediência civil» e ao desrespeito do acordo assinado com o Governo e do próprio código deontológico da profissão.

Defender os interesses das farmácias

Hoje, em declarações à Agência Lusa, disse que a queixa «confirma todos os receios». «Não é função da ANF envolver-se no mercado de genéricos de forma directa ou indirecta. Deve defender os interesses das farmácias e não produzir genéricos», considerou.

Para o candidato, a ANF «está a intervir no mercado, o que não é, logo à partida, legal».

João Ferro Baptista informou ainda ter visto negado a sua sugestão para o adiamento das eleições e não deixou de lamentar que esse acto aconteça antes de aprovadas as contas da associação.