A Associação Nacional de Escolas Profissionais (ANESPO) congratulou-se esta segunda-feira com a intenção governamental de reforçar a componente do ensino profissional, mas alerta que continuam a não estar reunidas todas as condições para o funcionamento regular destas escolas.

O ministro da Educação, Nuno Crato, anunciou hoje que o Governo quer reforçar a componente do ensino profissional, tendo como objetivo envolver metade dos jovens do ensino secundário em cursos profissionalizantes.

Nuno Crato falava aos jornalistas à margem de uma visita à Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, situada em Mouriscas.

«É nossa intenção que cerca de 50% de jovens do ensino secundário possam estar numa formação profissionalizante e temos aqui um bom exemplo de como os jovens podem sair com boas aptidões, para entrarem no mercado profissional de trabalho ou prosseguirem os seus estudos», frisou.

Em comunicado, a ANESPO congratulou-se com esta intenção anunciada pelo ministro, mas defende ser necessário «passar de declarações a medidas práticas efetivas».

«O que acontece neste momento é que as escolas estão a ser estranguladas pela incapacidade de o Governo tomar medidas atempadas e, como tal, mantêm-se os vários problemas que afetam o ensino profissional com particular destaque para os atrasos dos pagamentos dos subsídios para funcionamento das turmas de continuidade ou que iniciaram o ciclo formativo em setembro deste ano», refere o presidente da ANESPO em comunicado.

Segundo José Luis Presa, as escolas profissionais estão a ter muitas dificuldades em satisfazer compromissos com estudantes, colaboradores e fornecedores, e também com o Estado, nomeadamente por via do pagamento do IRS e das contribuições para a segurança social.

Para a associação é essencial resolver estes problemas prementes e urgentes, e, ao mesmo tempo, começar a discutir o planeamento e organização do ano letivo 2014/15.

«Num quadro de cada vez maior reconhecimento nacional e internacional das qualificações conferidas pelas escolas profissionais, o seu funcionamento está a ser fortemente comprometido devido à inércia e incapacidade de entendimento entre os membros do Governo», sublinhou José Luís Presa.