A proposta do PAN para acabar com os canis de abate em Portugal foi aprovada no Parlamento. A Iniciativa Legislativa de Cidadãos para o fim dos canis de abate baixou, após requerimento, à  11ª Comissão - de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, o que significa que a iniciativa não é já votada em generalidade, ficando em trabalhos de especialidade e revisão durante um período de 90 dias, voltando de seguida à discussão e votação. 

Após ter conhecimento, André Silva, deputado do PAN, discursou no Parlamento e agradeceu aos subscritores da Iniciativa Legislativa de Cidadãos e todas as Associações de Protecção, "que há muitas décadas se têm vindo a substituir ao Estado nas suas funções, tratando os animais com a dignidade que merecem".

O deputado lembrou ainda que "esta legislatura poderá assim, também ser o início de uma nova era para os animais, onde finalmente lhes poderá ser reconhecido o direito à vida, o direito a não ser abatido num qualquer canil municipal, o direito a ter uma segunda oportunidade". 

"Muitos de nós consideramos que o ser humano é diferente dos outros animais por ter um determinado nível de inteligência. Esta racionalidade não nos torna superiores às outras espécies mas sim responsáveis por elas. (...) Não vale a pena criminalizar os maus tratos a animais quando institucionalmente o seu abate é permitido. Mais de 100.000 cães são mortos todos os anos em canis. Não se iludam, isto é crime! Há décadas que praticamos uma política de abate que, claramente, não funciona pois a sobrepopulação de animais é evidente. Já é tempo de evoluir e ir à origem do problema, reduzir o número de animais que nascem, por exemplo por via da esterilização". 

Para André Silva, "esta iniciativa merece ser discutida em Comissão Parlamentar, não apenas por uma questão de respeito para com a democracia e para com todos os cidadãos que a subscreveram, mas também para que possa ser debatida com tranquilidade e o devido tempo entre todos os Grupos Parlamentares".

"Só assim será possível encontrar uma solução que seja simultaneamente realista e aplicável no curto prazo, que dignifique os animais e que seja socialmente justa".