O ilustrador português André da Loba foi distinguido como finalista na competição anual da Society of Illustrators e vai integrar a sua exposição anual, que é inaugurada em janeiro, em Newport, nos Estados Unidos.

André da Loba, que é distinguido há sete anos consecutivos e já recebeu duas medalhas, concorreu este ano com ilustrações que fazem parte do livro «Obscénica», que foi lançado na semana passada em Lisboa.

«É fantástico estar entre os melhores dos melhores ano após ano. É um processo difícil e que requer muita persistência e trabalho. Desde 2007 que faço parte deste grupo restrito composto por pessoas que admiro imenso e me inspiram diariamente a reinventar-me», explicou o ilustrador à agência Lusa.

Considerado em 2010 como um dos 200 melhores ilustradores de todo o mundo, André da Loba nasceu em Aveiro, em 1979. Colabora regularmente com o The New York Times e soma várias distinções internacionais.
O seu último livro, «OBSCÉNICA - Textos Eróticos & Grotescos», reúne textos da escritora brasileira Hilda Hilst e as suas ilustrações.

«Hilda Hilst escreveu também alguns textos eróticos e grotescos para 'alegrar-se um pouco'. O projeto tornou-se mais relevante quando percebemos que, em Portugal, a literatura de Hilda Hilst era quase desconhecida», explicou o autor.

André da Loba viveu sete anos em Nova Iorque, mas regressou este ano à Europa, onde já viveu temporadas nas cidades de Milão, Viena, Madrid, Lisboa, Porto, Londres e Barcelona.

«Este lado do oceano é tão interessante como Nova Iorque a nível da ilustração. Apesar da crise, ou por causa dela, acho que vivemos uma época de produção gráfica de alto nível», disse o ilustrador.

Explicando que há muitos projetos independentes a surgir na Europa, o português acredita que estes profissionais estão a mostrar «que há outras maneiras de fazer as coisas, sobretudo através da partilha e discussão honesta de conteúdos de onde nascem, depois, publicações físicas e digitais que mantêm a cultura e a educação dos europeus viva e de boa saúde».

André da Loba já publicou mais de uma dezena de livros para a infância, entre os quais «Querer muito» (com João Paulo Cotrim), «O Arenque Fumado» (de Charles Cros), «Pensamientras» (com Eugénio Roda), «Elefante em loja de porcelanas» (com Adélia Carvalho) e «Bestial».

No ano passado, recebeu a medalha de ouro da Society of Illustrators na categoria «Moving image», pelo filme «Tuttodunpezzo». No mesmo ano, outra portuguesa, Marta Monteiro, conquistou a medalha de ouro na categoria «Uncomissioned» - ilustrações não publicadas em livro - com o trabalho inédito «Little People».

A instituição norte-americana Society of Illustrators foi fundada em 1901, para distinguir «e promover a arte da ilustração».

A sua exposição «Illustrators 57» é inaugurada a 07 de janeiro, no Museum of American Illustration, em Newport, e as medalhas de ouro serão entregues a 09 do mesmo mês.