Os centros de saúde vão poder, a partir de agora, fazer análises, realizar determinados exames e tratamentos específicos para situações menos urgentes, por forma a dar uma resposta mais rápida aos utentes e a libertar as urgências hospitalares.

“Queremos que os utentes tenham um papel mais ativo na gestão da sua doença e saúde, precisamos que estejam mais bem informados e, por sua vez, que os cuidados de saúde primários estejam mais disponíveis para os receber, estabelecendo uma maior relação com os cuidados hospitalares”, disse o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, na apresentação do projeto-piloto “SNS + Proximidade”, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos.

Algumas destas novas valências dos centros de saúde já arrancaram, outras vão sendo lançadas ao longo do ano, disse.

Um dos objetivos deste projeto é que as pessoas que têm uma doença aguda ou uma situação súbita – sem aparente risco de vida -, se dirijam à sua unidade de saúde familiar e não às urgências de um hospital, salientou.

“Queremos que sejam atendidos no local certo, mas acima de tudo por uma equipa de saúde familiar que os conhece bem e que lhes pode dar outro tipo de solução”, explicou Fernando Araújo.

Além de poderem fazer análises ou raios-x, o secretário de Estado frisou que o SNS + Proximidade vem dar mais capacidades aos utentes para entenderem a sua doença ou como prevenirem outras, de forma a tomarem decisões mais informadas e inteligentes.

Por esse motivo, alguns espaços de atendimento de centros de saúde serão requalificados, aprimorando as instalações e utilizando esse espaço para a promoção da literacia em saúde, tornando-as “verdadeiras plataformas de comunicação”.

“Um dia destes vamos prescrever a literacia, ou seja, juntamente com a receita médica irão documentos para poderem conhecer melhor a sua doença”, referiu.

Outra das novidades é a criação de um Plano Individual de Cuidados (PIC) onde o paciente poderá registar os seus problemas, objetivos e metas a atingir, em parceria com uma equipa de saúde, que irá guiar o utente.

“Temos de tornar os utentes capazes de produzir saúde, evitar a doença e gerir as doenças crónicas”, salientou.

Fernando Araújo realçou que o SNS + Proximidade quer mudar a forma como o doente se relaciona com o SNS.

Se a população continuar apenas a pensar na doença e no tratamento, o SNS não terá dinheiro que chegue, sendo necessário evitar a doença com estilos de vida saudáveis.

“Podemos, seguramente, mudar o SNS e, assim, torna-lo mais sustentável”, vincou.