Uma idosa morreu no passado dia 16 de fevereiro, na Sertã, depois de o marido não ter conseguido chamar os serviços de emergência por falha no telefone fixo. O Governo já garantiu que a Anacom vai fazer "uma investigação aprofundada".

Segundo o Jornal de Notícias, a idosa, de 80 anos, caiu inanimada no chão, a meio da noite, e o marido teve de percorrer dois quilómetros a pé para pedir auxílio, porque o telefone fixo continuava sem funcionar, quatro meses depois dos incêndios de outubro.

Quando a ambulância e a GNR chegaram à casa do casal, cerca de duas horas depois, já pouco havia a fazer e o óbito foi declarado no local. A idosa morreu vítima de uma insuficiência cardíaca.

O casal não tinha telefone desde os incêndios de outubro, porque as linhas foram destruídas e em muitas zonas rurais ainda não foram repostas. O Governo anunciou, esta sexta-feira, que o regulador das comunicações abriu uma investigação aprofundada ao caso. 

"O regulador informou que fará uma investigação aprofundada, uma análise aprofundada do ocorrido daquela situação em concreto. Mas queria dizer que, em geral, o regulador já tinha informado de que está no terreno a fiscalizar as condições de reposição do funcionamento dos serviços de comunicações que são absolutamente essenciais para a vida das populações", afirmou Pedro Marques, ministro do Planeamento e Infraestruturas.

Entretanto, o PCP vai requerer a audição urgente do ministro sobre a reposição de telecomunicações consumidas pelos fogos de 2017.

Contactada pela TVI24, a Altice garante que "o local onde habita este cliente tem cobertura de rede móvel, sendo possível efetuar chamadas com sucesso e qualidade" e que já o tinha contactado "no dia 5 de janeiro de 2018, sem sucesso".

Posteriormente, foi enviada uma carta para a sua habitação, a 12 de janeiro de 2018, no sentido do cliente entrar em contacto com a Altice Portugal, para ser feito o agendamento da reposição do serviço. Não tendo a Altice Portugal registo de qualquer contacto do cliente para confirmar e efetivar esse agendamento", acrescenta a operadora.

A Altice sublinha ainda que cerca de 99,5% dos clientes afetados pelos incêndios têm os serviços repostos e que a maioria das ligações que falta reconstruir "se deve à incapacidade de chegar ao contacto com vários clientes destas zonas" por diversas razões, nomeadamente os casos de "habitações sazonais ou de fim-de-semana", os casos de "clientes emigrados" ou os casos de clientes que ainda não contactaram a operadora "para aceitação do agendamento proposto com os serviços da Altice Portugal para reposição desse mesmo serviço".