A advogada de defesa de Ana Saltão, inspetora da PJ acusada de matar a avó do marido, pediu esta quarta-feira, durante as alegações finais, no Tribunal de Coimbra, a «absolvição total» da arguida.

«Quero que se faça justiça. Um 'in dubio pro reo' [princípio em que, em caso de dúvidas, se favorece o arguido] nunca vai restituir o bom nome e imagem da arguida», disse a advoga de defesa de Ana Saltão, Mónica Quintela, pedindo a absolvição da inspetora da PJ.

Em declarações à comunicação social, a advogada considerou que o 'in dúbio pro reo' leva a que fique «sempre um estigma e uma dúvida», sendo necessária a confirmação da inocência da sua cliente.

Durante as alegações finais, Mónica Quintela disse que «não há nenhum motivo» para que Ana Saltão tivesse cometido o crime, contestando a tese de que seria por motivos económicos, explicando que «não há muitos casais nesta faixa etária com a segurança» que o casal em questão tinha.

A defesa voltou a criticar os diversos procedimentos da PJ ao longo do processo, criticando «falhas na investigação», «falsificação de autos» e «sonegação de provas» e reafirmando que a investigação terminou na madrugada de 22 de novembro, um dia depois do crime.

Na sessão da manhã das alegações finais, o Ministério Público (MP) pediu no Tribunal de Coimbra a pena máxima de 25 anos para Ana Saltão, inspetora da PJ acusada de matar a avó do marido em 2012.

A arguida, acusada de homicídio qualificado e peculato, revelou «premeditação e frieza de ânimo» no alegado crime, afirmou o procurador Jorge Leitão, defendendo a aplicação da pena máxima de 25 anos à inspetora da PJ do Porto.

O Ministério Público, no decorrer das alegações finais, pediu ainda que Ana Saltão fosse proibida de voltar a exercer a função de inspetora da PJ e que o pedido de indemnização cível, referente ao roubo da arma e munição da PJ, fosse declarado procedente.

O crime, que classifica de «hediondo», levou à morte de «uma idosa de 80 anos a viver sozinha», frisou Jorge Leitão, considerando que foram motivos económicos que levariam a que a arguida cometesse o crime.

Castanheira Neves, advogado em representação do filho da vítima, disse em tribunal que «a conclusão parece óbvia».

«Há uma quantidade esmagadora de provas indiretas» que ligam Ana Saltão ao crime, referiu.

O facto de o telemóvel da inspetora da PJ estar desligado durante a tarde em que ocorreu o crime, ter ido buscar a filha ao infantário mais tarde, usar o direito de não prestar declarações no primeiro interrogatório, a queimadura na mão ser «compatível» com disparos repetidos num momento de tensão, foram alguns dos factos apresentados pelo advogado.

A idosa, de 80 anos, foi atingida mortalmente com 14 tiros, numa residência da rua António José de Almeida, zona de Celas, em Coimbra, durante a tarde de 21 de novembro de 2012.

No final das alegações, o juiz João Ferreira informou que a leitura da sentença irá realizar-se a 08 de setembro, às 15:00.