O projeto ‘Stop Bullying’, desenvolvido pela Amnistia Internacional nos últimos dois anos, em seis escolas portuguesas, promove, esta semana, várias ações de sensibilização, e pretende apresentar, até setembro, um manual contra este tipo de agressão.

“O projeto pretende tornar cada ambiente escolar num ambiente mais participativo e seguro, refletindo sobre a temática do 'bullying', de discriminação. O nosso objetivo é reduzir a incidência de 'bullying' em cada uma das escolas, em cerca de 33%. As ações da próxima semana são um pouco o culminar destes dois anos de projeto”, explicou à Lusa Nelson Lima, coordenador do ‘Stop Bullying’, que se integra noutro projeto da Amnistia Internacional (AI) - Escolas Amigas dos Direitos Humanos.

A partir de segunda-feira, nas seis escolas envolvidas vai haver “uma mobilização de larga escala”, com mais de 800 alunos a participar em ações como pinturas murais alusivas aos direitos humanos, e divulgação de cartazes de grande formato relativos ao tema, espalhados por vários pontos das escolas, com o objetivo de sensibilizar e juntar à iniciativa alunos que não tenham tido qualquer participação ao longo dos últimos dois anos.

O resultado mais palpável de dois anos de trabalho serão os materiais de sensibilização produzidos pelos próprios alunos, e um manual de boas práticas contra o 'bullying', com contributos das escolas que participaram, e que a AI pretende disponibilizar não apenas para estas, mas também 'online', ficando acessível a qualquer estabelecimento que o queira usar.

O projeto, que decorre também na Irlanda, Itália e Polónia, envolvendo um total de 17 escolas, arrancou no início do ano letivo de 2014-2015, com um inquérito à comunidade escolar, no qual se pretendeu aferir “a temperatura do 'bullying'”, nas escolas.

Os resultados demonstraram que o que levava os alunos a praticar ações agressivas, repetidamente, sobre os seus pares, tinha por base, maioritariamente, o aspeto físico: aspeto e aparência física, deficiência, raça, contexto social ou cultural e homofobia foram, por esta ordem, as razões indicadas como justificação para agredir os colegas.

No próximo mês de setembro, quando terminar o projeto, a AI pretende voltar a aplicar o mesmo inquérito para perceber se a meta da redução em 33% da incidência de atos violentos sobre colegas foi atingida, e se houve, de facto, um impacto mensurável da iniciativa junto das escolas.

“A nossa ideia seria pegar nestes dados estatísticos e, a partir daqui, criar algum tipo de pressão para que o Governo olhe para este tema com outra relevância”, disse Nelson Lima.

A AI selecionou seis escolas entre aquelas que se candidataram a integrar o projeto, escolhendo estabelecimentos com alguma abrangência territorial – há escolas de Ferreira do Zêzere (Santarém), Cacém (Lisboa), Vila Franca de Xira (Lisboa), São João da Madeira (Aveiro), Maia (Porto) e Estremoz (Évora).

Depois de, no primeiro ano do projeto – 2014/2015 –, se ter dedicado a dinamizar oficinas de formação e sensibilização junto dos professores, marcando presença nas escolas de forma mais intensiva, e trabalhando com elas a temática do 'bullying' e dos direitos humanos, em torno da ideia da melhoria dos currículos, do espaço e das relações entre a comunidade escolar – direções incluídas -, no segundo ano – 2015/2016 –, o trabalho centrou-se no acompanhamento dos planos de ação que foram pedidos às escolas e nas ideias concretas para os pôr em prática, já a partir do próximo ano letivo.

Depois de várias reuniões que juntaram professores, funcionários, direções e associações de pais, para discutir de que forma as escolas podem trabalhar o tema do 'bullying', o projeto da AI recolheu já algumas intenções.

Uma delas passa por fazer aquilo que Nelson Lima diz ser "uma prática inexistente em todas as escolas do país": incluir uma alínea no regulamento interno dedicada ao combate ao 'bullying'.

As escolas admitem ainda vir a trabalhar a temática nos currículos dos alunos e promover atividades dedicadas ao 'bullying', ao longo do ano letivo.