Os táxis com matrículas anteriores a julho de 1992 deixam de poder circular no centro de Lisboa a partir de quarta-feira, devido a uma medida camarária para diminuir as emissões poluentes.

Estas restrições serão aplicadas - entre as 07:00 e as 21:00 nos dias úteis - à zona 1, que vai do eixo da Avenida da Liberdade à Baixa, e à zona 2, definida pelos limites Avenida de Ceuta, Eixo Norte-Sul, avenidas das Forças Armadas, dos Estados Unidos, Marechal António Spínola, do Santo Condestável e Infante D. Henrique.

Nestas duas zonas, os carros ligeiros e pesados com matrículas anteriores a 2000 e 1996, respetivamente, estão impedidos de circular desde meados de janeiro. Os táxis tiveram um período de exceção, mas a partir daqui a adaptação será gradual.

Uma decisão tomada ainda quando António Costa estava no executivo lisboeta e que muita polémica levantou, como uma marcha lenta que cerca de duas centenas e meia de automobilistas em fevereiro, depois da proibição ter entrado em vigor a 15 de janeiro. 

Em julho de 2016, os táxis com matrícula anterior a 1996 deixam de poder circular na zona 1.

Um ano mais tarde, as regras aplicadas aos veículos em geral passam a aplicar-se também aos táxis, ou seja, na zona 1 só podem circular carros com matrícula posterior a 2000 e na zona 2 posterior a 1996.

Estas restrições enquadram-se na terceira fase das Zonas de Emissões Reduzidas (ZER), após a segunda ter sido implementada em 2012 e a primeira em 2011, visando reduzir as emissões poluentes.

As limitações são impostas pelo ano da matrícula, pelo que os carros mais antigos só poderão circular nestas zonas se instalarem equipamentos de redução de emissões homologados pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

Uma das alternativas é a montagem de filtros de partículas, alteração que deve ser aprovada pelo IMT e tem uma taxa de 150 euros, segundo a informação disponível no ‘site’ do instituto.

Excetuam-se a estas restrições veículos de emergência, de residentes, blindados de transporte de valores e motociclos.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio Almeida, frisou que “os táxis se têm vindo a renovar e [que] as viaturas têm vindo a ser substituídas” por outras mais recentes, pelo que são poucos os carros anteriores a 1992.

“São cento e poucos, não deve haver mais do que isso”, apontou, desvalorizando o impacto da medida para o negócio.

Posição semelhante tem Carlos Ramos, da Federação Portuguesa de Táxi (FPT), que salientou à Lusa a “renovação muito grande da frota” feita nos últimos anos, faltando substituir entre 300 e 400 carros.

Foi também adotada como alternativa a instalação de filtros de partículas, explicou Carlos Ramos, argumentando que “não é uma situação tão problemática quanto se previa”.

Porém, de acordo com este representante, as restrições vão não só abranger os táxis que circulam em Lisboa como aqueles que chegam, por exemplo, de Almada e da Amadora.

Segundo dados da FPT, a praça de táxis de Lisboa tem cerca de 3.800 carros, número que aumenta para 5.800 no caso da Grande Lisboa.

A nível nacional, existem 12 mil carros e, destes, são substituídas anualmente, em média, 700 a 800 viaturas, assinalou Carlos Ramos, em declarações à Lusa.

Quanto ao próximo ano, em que a medida passa a abranger táxis anteriores a 1996, ambos os responsáveis referiram que, apesar de mais carros serem visados, “há mais tempo para as pessoas se adaptarem”.