Portugal é o terceiro país com melhor desempenho de políticas de alterações climáticas entre os 58 países mais industrializados, de acordo com o índice CCPI, disse à Lusa a Quercus.

O anúncio é feito na segunda-feira de manhã na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que tem lugar em Varsóvia, Polónia.

O CCPI - Climate Change Performance Index é um índice sobre o desempenho das políticas de alterações climáticas, da responsabilidade da organização não governamental de ambiente GermanWatch e da Rede Europeia de Ação Climática, sendo que a Quercus integra nesta última entidade e «colaborou na avaliação qualitativa pericial efetuada a Portugal».

Em comunicado, a organização ambiental portuguesa refere que «Portugal ficou em 6.º lugar (onde os três primeiros não foram atribuídos) em termos de melhor desempenho relativamente às políticas na área das alterações climáticas», adiantando que esta classificação compara «o desempenho de 58 países que, no total, são responsáveis por mais de 90% das emissões de dióxido de carbono associadas à energia».

Na prática, refere a Quercus, «Portugal é o 3.º melhor país, na medida em que, tal como no ano passado, os três primeiros lugares estão vazios, por se considerar não haver, por agora, nenhum país merecedor do pódio no que respeita à proteção do clima».

À frente de Portugal ficaram a Dinamarca (1.º lugar) e o Reino Unido, com a Suécia em quarto lugar.

O objetivo deste índice «é aumentar a pressão política e social, nomeadamente nos países que têm esquecido o trabalho nacional no que respeita às alterações climáticas».

A Quercus recorda que no ano passado Portugal obteve o terceiro lugar do índice, «porém, uma revisão recente dos dados pela Agência Internacional de Energia fez com que, nos resultados do ano anterior, Portugal ocupasse efetivamente na quarta posição».

Este é o novo ano que o índice é divulgado, com Portugal no terceiro lugar «pela redução no uso de combustíveis fósseis, fomentada pelo contexto de crise, e pelos resultados da política energética devido, principalmente, ao investimento nos últimos anos em energias renováveis», refere a Quercus.

Nos outros países que necessitaram de ajudas externas, Grécia e a Irlanda, os resultados do índice foram contrários ao de Portugal.

«Sob os efeitos da crise e do controlo económico da troika, a Grécia abandonou todas as políticas climáticas» e a Irlanda «também piorou três lugares neste índice», aponta a Quercus.

«Por enquanto, Portugal melhorou a sua posição, a qual pode estar, contudo, ameaçada pela política menos construtiva do atual Governo, que já abrandou algos dos investimentos benéficos, em particular nas energias renováveis», alerta a organização ambiental.

A Polónia assume o penúltimo lugar do índice (45.º lugar), com a Grécia a ter o pior desempenho.