Um ano após a entrada em vigor da terceira fase das Zonas de Emissão Reduzida (ZER) de Lisboa, os níveis de poluição na Avenida da Liberdade pioraram, disse à agência Lusa o ambientalista Francisco Ferreira.

“Voltámos a estar numa situação complicada em termos de níveis de poluição na Avenida da Liberdade”, disse o também professor universitário, que coordena um estudo sobre os níveis de poluição nas ZER.


Desde 15 de janeiro de 2015 que os carros com matrículas anteriores a 2000 e a 1996 passaram a estar proibidos, dentro de uma determinada zona, de circular, entre as 07:00 e as 21:00 dos dias úteis, no centro da cidade de Lisboa devido às emissões poluentes.

Os carros com matrículas anteriores a 2000 ficaram impedidos de circular na zona 1, que vai da Avenida da Liberdade à Baixa (limitada a norte pela Rua Alexandre Herculano, a sul pela Praça do Comércio e abrangendo a zona entre o Cais do Sodré e o Campo das Cebolas).

Já os carros anteriores a 1996 não podem circular na zona 2, definida pelos limites Avenida de Ceuta, Eixo Norte-Sul, Avenidas das Forças Armadas, dos Estados Unidos, Marechal António Spínola, do Santo Condestável e Infante D. Henrique.

À Lusa, Francisco Ferreira, professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, sublinhou que a qualidade do ar se deve às emissões poluentes: “No caso da Avenida da Liberdade estamos a falar de tráfego rodoviário” e das condições meteorológicas.

“O que aconteceu em 2015 é que houve uma série de períodos com circunstâncias menos favoráveis em termos de meteorologia, condições de estagnação, sem vento e, portanto, tivemos um agravamento significativo da qualidade do ar”, afirmou, frisando que os dados que tem acerca do ano passado ainda são provisórios.

Apesar de considerar que “as condições meteorológicas foram preponderantes”, o ambientalista não exclui um aumento de trânsito na Avenida da Liberdade ou o incumprimento das ZER por parte de alguns automobilistas.

Afirmando que “nos últimos três ou quatro anos” os valores da emissão de partículas estiveram abaixo do limite diário estabelecido, o professor disse ainda que, no caso do valor limite anual (40 miligramas/metro cúbico), se continua “sem problemas”.

“Em relação ao dióxido de azoto, muito falado porque é o poluente que se verificou ser emitido acima do permitido no caso da Volkswagen, houve ultrapassagem dos valores. Não sei ainda o número. O máximo de horas permitido por ano são 18 e nós tivemos mais do que 18 horas e, na média anual, tivemos um ligeiro aumento”, disse.

“Voltámos a estar em infração nos limites da legislação nacional e europeia no que respeita às partículas e Lisboa, que tinha tido uma isenção em relação ao dióxido de azoto, também agora, quer no valor anual, quer no valor horário, está acima”, acrescentou.

Francisco Ferreira admite que “se calhar [a fiscalização] não está a ser suficientemente exigente”, continuando a haver “carros muito poluentes a passar naquele troço”.


Isto porque, segundo o ambientalista, nas outras estações de tráfego, nomeadamente Entrecampos e Santa Cruz de Benfica, “pelo menos em relação às partículas e, quase de certeza, em relação ao dióxido de azoto, está-se em cumprimento”.

“O problema de incumprimento está na avenida”, frisou.

Estas restrições de circulação enquadram-se na terceira fase das ZER. A segunda fase foi implementada em 2012 e a primeira criada em 2011.

São exceção à proibição de circulação nas ZER os veículos de emergência, históricos, de residentes, de polícia, militares, de transporte de presos, blindados de transporte de valores, os carros a gás natural, GPL e os motociclos.

Os táxis terão um período de exceção até 30 de junho.