O secretário de Estado do Ambiente afirmou esta segunda-feira estar desconfortável com o tipo de informação e datas de publicação sobre resíduos e garantiu que, até final do ano, serão divulgados dados para transmitir "confiança, fiabilidade e atualidade".

"Se me perguntar se eu fico satisfeito com o nível de informação e sobretudo com o 'timing' da informação produzida pela APA [Agência Portuguesa do Ambiente] em matéria dos resíduos urbanos, eu diria 'não estou confortável'", disse Carlos Martins.

"Já transmiti esse desconforto ao presidente da APA, já solicitei que se alterasse esse quadro de referência", avançou.

O responsável do Ministério do Ambiente, liderado por João Matos Fernandes, falava à agência Lusa a propósito do Dia Internacional da Reciclagem, que se assinala na terça-feira, e comentava críticas da Quercus aos dados publicados sobre a produção e tratamento do lixo.

Segundo Rui Berkemeier da Quercus "na área da reciclagem a primeira questão que se coloca é saber exatamente quais são os números, de facto os dados que têm sido divulgados pelo Ministério do Ambiente não são fiáveis e já detetámos várias incongruências".

O secretário de Estado do Ambiente garantiu que, "até final deste ano, serão publicados dados" em que se compromete a "transmitir confiança, fiabilidade e atualidade" na informação sobre resíduos urbanos.

Em setembro ou outubro está prevista a edição de uma pequena brochura com dados quantitativos relacionados com o assunto.

Quanto à reciclagem, área em que os ambientalistas dizem haver muito trabalho a fazer, Carlos Martins explicou que, em alguns fluxos, ou materiais, os resultados "têm sido bastante alinhados com as metas" definidas, mas em outros "há evidência de algumas preocupações, umas decorrentes de questões de mercado e outras [porque] alguma coisa pode estar a correr mal".

"Não escondo que há dificuldades, vou tentar criar as condições para ultrapassá-las", assegurou, defendendo que todos são capazes de contribuir para o sucesso da reciclagem, pois trata-se de gestos muito simples.

Nos resíduos de embalagem, sistema com maior tradição em Portugal, a preocupação centra-se no cumprimento da meta para o vidro, e os problemas "podem ter a ver com a mensagem [transmitida aos consumidores] e os custos de comunicação não estarem eventualmente direcionados para o sítio certo".

Por isso, "haverá que fazer uma campanha de comunicação forte no sentido de [chegar aos] cidadãos, parte relevante para o sucesso", de forma a mudar comportamentos, salientou, defendendo que não há falhas de infraestruturas ou de logística, pois "há ecopontos em número suficiente e relativamente perto" dos consumidores.

Ao contrário, nos óleos minerais usados, o sistema "tem tido algum sucesso e com a implementação da guia eletrónica ficamos em condições de rastrear melhor" o processo, referiu o secretário de Estado.

Carlos Martins apontou ainda a preocupação com "dois ou três fluxos", um deles dos equipamento elétricos e eletrónicos, em que "as estatísticas cumprem as metas do ponto de vista da valorização, mas não há completa segurança sobre o final do ciclo", sendo intenção do Governo aumentar a exigência no tratamento da informação