A rede internacional pró-alimentação infantil considera que o «marketing agressivo» usado pela indústria de alimentos para bebés em Portugal está a prejudicar a amamentação.

Em Portugal desde junho do ano passado, a rede International Baby Food Action Network (IBFAN, na sigla inglesa) existe desde 1979, quando começou com apenas seis membros, tendo atualmente 278 grupos espalhados por 163 países.

«O nosso objetivo consiste em melhorar a saúde das crianças e bebés em Portugal, através da promoção, suporte e proteção do aleitamento materno», explica a organização no seu site português na Internet.

Para a IBFAN Portugal, «as implicações financeiras de não amamentar são vastas, especialmente em alturas de crise económica, uma vez que o leite materno é gratuito e as empresas que produzem os leites artificiais tentam prejudicar a amamentação, porque não lhes permite fazer dinheiro».

A rede pró-amamentação faz constantemente análises ao cumprimento, por parte da indústria, do Código Internacional de Marketing de Substitutos do Leite Materno da Organização Mundial de Saúde.

Segundo disse à Lusa a coordenadora da organização em Portugal, Jacqueline Montaigne, é «chocante a falta de consciência e cumprimento do código de marketing».

«O marketing cruel usado pela indústria de alimentos para bebés em Portugal prejudica direta e indiretamente a amamentação, que é um direito humano», indica a responsável.

Como profissionais e voluntários ligados ao aleitamento materno, os colaboradores da rede indicam que têm verificado «os efeitos devastadores que o marketing agressivo e não ético da indústria de alimentação para lactentes tem sobre as variadas vertentes da amamentação».

O IBFAN sublinha que a amamentação é a «mais barata e mais efetiva forma de salvar vidas» e, citando números da UNICEF, estima que seriam salvas 1,5 milhões de vidas anualmente em todo o mundo se todos os bebés fossem exclusivamente amamentados desde o nascimento até pelo menos aos seis meses.

Jacqueline Montaigne considerou à Lusa que a organização compreende que a amamentação nem sempre é fácil ou devidamente apoiada em Portugal, sublinhando que não está em causa uma oposição entre amamentação e fórmulas de leite artificial.

«Qualquer que seja a escolha de uma mãe, acreditamos que todas têm o direito a ter acesso a informação clara e fundamentada, livre de influências comerciais, para que possam decidir baseadas em factos, sendo que isto se aplica quer à amamentação quer à alimentação por fórmulas», afirmou.