O D tem 25 meses e ainda mama. «Nunca tinha imaginado chegar até aqui» confessa Ana, de 34 anos, a mãe. Depois de engravidar e nascer o bebé nunca perdeu muito tempo a pensar no assunto. «Foi acontecendo» e imaginou que seria até «ele desejar». Amanhã logo se vê.

Entre 6 e 12 de outubro, celebra-se a
«Semana Mundial do Aleitamento Materno» e, mais uma vez, Portugal juntou-se à iniciativa. Sob o lema «Amamentação: Um ganho para toda a vida», iniciativas por todo o país quiserem mostrar os benefícios do leite materno para os bebés. A TVI24 falou com duas mães e quis conhecer as suas histórias e emoções em relação à amamentação.

«Desde o primeiro momento que tive o meu rebento nos braços, foi sempre incrível», afirma Ana. «Um momento especial» entre mãe e filho mas também de «aprendizagem» que «gradualmente vai fazendo parte do dia-a-dia até que acontece naturalmente em sintonia com os sinais do pequeno rebento».

Quando engravidou, Ana foi despedida e, desde então, não apareceu mais nenhum trabalho estável e D ganhou uma mãe a tempo inteiro. Ana também suspeita que ainda tem leite «porque está disponível e perto dele». «Se não fosse o caso, o meu corpo já tinha deixado de manter esta produção e o bebé já tinha desenvolvido outras estratégias para gerir essa necessidade», afirma.

Apesar dos proclamados benefícios da amamentação e da Organização Mundial de Saúde recomendar que os bebés amamentem até, pelo menos, os 24 meses, não é comum as crianças mamarem até tão tarde. Ana confessa que só percebeu isso quando se «deparava com os olhares de outras mães e avós no parque ou comentários de amigos e família».

Já L, na casa dos 40 anos, viveu o momento da amamentação de forma muito diferente. A J faz agora quatro anos e mamou em exclusivo até aos quatro meses. «Com muito esforço e dedicação», recorda a mãe.

Na primeira consulta no pediatra, constatou-se que a pequenina tinha perdido peso. Demasiado, segundo o médico, que lhe sugeriu que começasse a dar suplemento. Acrescentou que L estava muito ansiosa e isso também provocava cólicas na criança.

Saiu «de rastos» da consulta e jurou «que nunca mais lá ia». Tomou uma decisão: «Mesmo que tivesse de a acordar a cada cinco minutos, mesmo que ela demorasse uma hora a mamar e mesmo que mamasse de duas em duas horas, eu não ia desistir». E assim foi.

«Prescindi de alguma vida social, porque ela demorava imenso tempo a mamar e as pessoas não percebiam. Chegava atrasada a tudo o que combinava e dormia pouquíssimo porque ela mamou sempre de duas em duas horas - nos dias bons de três em três horas - mesmo durante a noite», recorda L.

Nada lamenta: «Também era um prazer imenso, de amor puro. Ela olhava para mim com aqueles grandes olhos escuros, punha a mãozinha no meu peito, fazia-me festinhas e eu sentia que tudo valia a pena. Quando ela acabava, adormecíamos as duas. Ela nos meus braços».

No entanto, aos quatro meses e uma semana, a realidade foi mais forte. O peito já não enchia o suficiente. «A minha filha tinha fome e eu não tinha mais para lhe dar». Acabou por ir comprar leite em pó. Passou a amamentar primeiro e a dar o biberon depois. Durou mais 15 dias. «Infelizmente», lamenta L, com a certeza de que gostava de ter amamentado a filha por muito mais tempo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno, de forma exclusiva, nos primeiros seis meses de vida dos bebés, continuado com a introdução de alimentos complementares apropriados até aos dois anos ou mais. A OMS defende, e alega com total certeza, que a amamentação reduz a mortalidade infantil e contribui com benefícios que se estendem para a idade adulta.

E quais são os principais benefícios para o bebé? Maior proteção imunológica ao recém-nascido; transmite resistência contra alergias; protege contra microrganismos como vírus e bactérias; reduz a probabilidade de infeções respiratórias; aumenta a resistência contra diarreias, otites, infecções urinárias; promove o bom desenvolvimento mandibular, das estruturas da fala e da dentição; pode diminuir a probabilidade de obesidade e reduz a ocorrência do Síndrome da Morte Súbita.

Mas a mãe também tira muitos benefícios da amamentação. Contribui para a diminuição da incidência de hemorragias pós-parto e anemia; ajuda na recuperação do peso no período pós-parto; facilita o retorno do útero ao tamanho normal; diminui o risco de cancro da mama pós menopausa, cancro de ovário, osteoporose, doenças cardíacas, entre outras. Mas não só. É um alimento gratuito, sempre à temperatura ideal e pronto a servir.

«Momentos de amamentação»

As duas mães que falaram com a TVI24 não se encontram representadas nas fotografias que acompanham a galeria que ilustra este pequeno texto. «Momentos de amamentação» é o nome do concurso de fotografia pela Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano e a sua Unidade de Cuidados na Comunidade de Sines, em parceria com a Câmara Municipal de Sines. Depois de uma exposição e votação por parte dos visitantes, os vencedores foram anunciados esta quinta-feira, na Cafetaria do Centro de Artes de Sines.