O Hospital Amadora-Sintra pondera pagar aos médicos, durante o período da gripe, por doente atendido e não à hora, como é habitual. É uma das medidas da unidade para fazer face ao aumento do afluxo às urgências durante o inverno e garantir que não há faltas de médicos necessários para dar resposta à procura por parte dos doentes. A intenção é evitar o que aconteceu no ano passado, em que a espera no serviço de urgências foi superior a 20 horas.
 
De acordo com o Diário de Notícias (DN), que avança esta sexta-feira com a informação, o hospital não avançou com o valor previsto para pagar estes atos médicos, até porque a medida pode, de acordo com o Amadora-Sintra, nem ser necessária, “caso haja uma época de gripe sem grandes problemas”.
 
Ainda de acordo com o DN, o hospital Fernando da Fonseca já está a pagar mais dinheiro aos médicos que estão a dar apoio a um novo serviço de internamento que abriu a 2 de novembro. Um médico, citado pelo jornal, explica que os profissionais “foram contactados para saber se estavam interessados. E, além de assistirem os doentes habituais, recebem um pagamento por cama para também observarem os doentes desde serviço, o que significa que o podem fazer no mesmo tempo de serviço”.
 
Este novo modelo de pagamento no Amadora-Sintra é visto com bons olhos por parte da Ordem dos Médicos, “porque facilita a contratação de médicos”. O bastonário José Manuel Silva admite que haja “perversidades”, como os médicos “chamarem mais doentes menos graves e mais rápidos”. “É por isso que têm se ser definidas regras para que o modelo seja exequível”, lembra José Manuel Silva.
 
O responsável pela Ordem dos Médicos diz, contudo, não acreditar que “um médico queira atender um doente mais rapidamente só para ganhar mais uns euros. Desde logo porque, se cometer um erro, é sua responsabilidade e qualquer erro pode pôr em causa a sua vida profissional”.
 
O plano de contingência do hospital prevê ainda outras medidas como o “reforço da remuneração ou o recurso a médicos de família”. “São tudo situações contempladas pela lei e que têm como objetivo prevenir as situações que ocorreram em 2014. Temos de nos munir dos mecanismos necessários”, sublinha fonte do hospital, citada pelo DN.