O homem acusado de estrangular a mulher até à morte com um atacador de um sapato, na sequência de uma discussão ocorrida na casa do casal, em Alverca, confessou esta segunda-feira o crime, mas disse que foi por impulso.

«O arguido confessou parcialmente a acusação do Ministério Público. Reconheceu que cometeu o crime, mas assumiu que não tinha a intenção de matar a vítima. Foi um ato irrefletido e impulsivo, que não teve premeditação», frisou a advogada do suspeito à agência Lusa.

Renata Costa acrescentou que pediu a inimputabilidade do seu cliente, mas o coletivo de juízes recusou essa pretensão, durante a primeira sessão do julgamento, que começou hoje no Tribunal de Vila Franca de Xira.

A defensora do autor confesso pediu ainda a desqualificação jurídica do crime; de homicídio qualificado [pelo qual o arguido está a ser julgado] para homicídio simples e/ou homicídio por negligência, ambos com uma moldura penal inferior.

A leitura do acórdão ficou agendada para as 09:30 de 21 de outubro no Tribunal de Vila Franca de Xira.

O arguido, de 42 anos e em prisão preventiva ao abrigo deste processo, responde por homicídio qualificado e por um crime de detenção de arma proibida.

Segundo a acusação do MP, a que a agência Lusa teve acesso, o arguido foi casado com Mislene Pires, de 38 anos, mas «as discussões entre ambos eram frequentes».

Em dezembro de 2012, a vítima pensou em regressar ao Brasil, de onde era natural, e obteve informação sobre o preço da passagem aérea e dos objetos que poderia levar consigo.

De acordo com o MP, «por causa da conflitualidade existente, entraram ambos de baixa médica».

Na noite de 7 de dezembro de 2012, o arguido «envolveu-se mais uma vez em discussão» com a vítima, no interior da residência do casal, na zona do Bom Sucesso, Alverca do Ribatejo, «por questões relacionadas com o facto de ela não ter procedido à entrega, na sua entidade patronal, dos documentos relativos à sua baixa médica».

A acusação sustenta que, «no decurso da discussão e irritado com essa omissão», o alegado agressor «abeirou-se da vítima que se encontrava no corredor, colocou-lhe um atacador de um sapato/ténis à volta do pescoço e apertou-o com toda a força, dando-lhe um nó, estrangulando e asfixiando a ofendida».

De seguida, acrescenta o MP, «o arguido atou os pulsos e os tornozelos da vítima com atacadores de sapatos e escondeu o corpo na despensa da habitação, local onde foi encontrado na manhã seguinte, depois de o homem ter telefonado de Lisboa à PSP de Alverca a dar conta do ocorrido».

Os relatórios médicos indicam que a causa da morte se deveu «a asfixia por estrangulamento».

Na residência do casal as autoridades encontraram quatro munições de vários calibres que pertenciam ao arguido, que as guardava num dos quartos da habitação.