Os alunos sem professores deverão começar as aulas em meados da próxima semana, segundo o presidente do Conselho das Escolas, que admite que possam existir mais de meio milhar de turmas nesta situação.

O presidente do Conselho de Escolas e diretor do agrupamento de escolas de Benfica, Manuel Esperança, ainda tem dez turmas do 1º ciclo sem professores.

Na escola do Bairro da Boavista, em Lisboa, das dez turmas criadas este ano apenas quatro estão a funcionar.

Os restantes alunos daquela escola estão em casa e só «deverão começar as aulas na terça-feira», contou à Lusa Manuel Esperança, explicando que à meia-noite de hoje terminam as candidaturas de contratação de escola e que, na sexta-feira, começará a contactar os docentes.

«O mais tardar na próxima terça-feira deverão começar as aulas no pré-escolar e no 1º ciclo. Depois espero ter a casa toda arrumada na quarta ou quinta-feira», contou à Lusa o responsável, referindo-se à contratação de professores para as restantes escolas do seu agrupamento onde ainda faltam docentes.

O Ministro da Educação, Nuno Crato, anunciou na passada quinta-feira que estariam por preencher dois mil horários, dos quais mil eram horários completos.

A falta de professores nota-se mais «ao nível do primeiro ciclo e em especial na zona de Lisboa», disse Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Agrupamentos e Escolas Públicas.

«A máquina da educação é gigantesca e por isso estes não deixam de ser casos pontuais. No entanto, não deveriam estar a acontecer», sublinhou Filinto Lima, que admite existirem mais de 500 turmas do 1º ciclo ainda sem aulas.

Também Manuel Esperança estima em cerca de meio milhar o número de turmas sem profesores atribuidos.

Contactado pela Lusa, o Ministério da Educação e Ciência referiu que «o número de horários por preencher do 1.º ciclo é significativamente inferior ao apontado» pelos dois responsáveis.

«Os horários por preencher não correspondem necessariamente a turmas sem aulas nas escolas, uma vez que as direções, no âmbito das suas competências, encontraram soluções diversificadas para que, transitoriamente, os alunos tenham atividades letivas com outros docentes, tais como os designados para apoio, até ao preenchimento do horário», adiantou fonte oficial do MEC.