O regresso à comida dos antepassados, ingerindo alimentos mais naturais e apostando em recursos portugueses, deverá ser a próxima «moda» nacional no que toca à alimentação, anteveem chefs e especialistas contactados pela agência Lusa.

A chef de cozinha Mafalda Pinto Leite, que apresentou o programa culinário «Dias com Mafalda», defendeu que «a próxima tendência será voltar às raízes, comendo alimentos considerados 'naturais', da forma como os nossos antepassados comiam».

O nosso ADN «é 99% igual ao dos paleolíticos» e o nosso corpo «ainda não está preparado para fazer a digestão de muitos alimentos que consumimos», resultando em doenças cardíacas, alergias e casos de obesidade cada vez mais frequentes, explicou à Lusa Mafalda Pinto Leite.

Segundo a especialista, mais de metade das pessoas (cerca de 56%) «não come a quantidade de fruta e legumes que devia comer», muitas vezes por considerarem que uma alimentação saudável é mais cara.

«Mas é muito mais caro ir ao médico e ter doenças», sublinhou Mafalda Pinto Leite.

Hoje procuram-se novos ingredientes e produtos biológicos com mais frequência, sinal de que a saúde está em primeiro lugar.

Ana Morais, bloguer no «Tapas na Língua», é da mesma opinião e explicou que se deve prestar atenção aos acompanhamentos, defendendo que, «quanto mais integral e menos refinado for [um alimento], melhor».

Novos ingredientes, como «quinoa, aveia e diversas sementes», em substituição dos alimentos menos saudáveis é uma das propostas que partilha no «Tapas na Língua».

A bloguer defende o consumo de produtos orgânicos, que «acabam por ser mais caros, mas que tem muito mais sabor», apesar de alguns deles não serem fáceis de encontrar.

O chef José Avillez, considerado como uma das referências da cozinha em Portugal e dono de vários restaurantes, aposta numa «moda» relacionada com um maior consumo de peixe, influência dos costumes asiáticos, que «nos dias de hoje estão por toda a parte».

Avillez admitiu à Lusa que Portugal «poderá lucrar com isso», devido à extensa costa do país, e acrescentou que serão «os cozinheiros, os produtores de marisco e a modernização de algumas marisqueiras e cervejarias que irão impulsionar esta nova tendência».

Independentemente da forma como a comida seja cozinhada, a tendência parece ter um elemento em comum: «a consciência de que os produtos processados não têm sido propriamente benéficos para a nossa saúde», defendeu a autora do blogue »Dias de uma Princesa».

Para Catarina Beato, os alimentos têm de ser «redescobertos» e as pessoas «devem estar dispostas a experimentar novos alimentos» em prol de uma vida com mais saúde.