O secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agroalimentar afastou  esta quinta-feira a hipótese de proibir a utilização de carne picada, defendendo o seu consumo na altura em que é triturada.

«A carne picada pode e deve ser consumida no momento em que ela é picada», disse Nuno Vieira e Brito, no final de uma reunião da Comissão de Segurança Alimentar que decorreu no Ministério da Agricultura para analisar, entre outros assuntos, um estudo da DECO sobre a venda de carne picada em 26 talhos.

O estudo revelado pela revista Proteste, de Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO), analisou amostras de carne de vaca picada vendida em 26 talhos da Grande Lisboa, de Setúbal e do Grande Porto, detetando irregularidades em 23 dos estabelecimentos.

Segundo o estudo, em 23 dos estabelecimentos são adicionados sulfitos à carne e o produto é mantido em temperaturas acima do previsto por lei e sem as devidas condições de higiene e de conservação.

O secretário de Estado sublinhou que «não está colocada em causa o problema de proibição da utilização de carne picada» pelo consumidor.

Para Nuno Lima Dias, da DECO, as conclusões do estudo «são claras: não se deve comprar carne de vaca vendida a granel, previamente picada. Quanto muito, o consumidor deve escolher a peça e mandar picar na loja, porque não estão reunidas as condições para ter um produto de qualidade».

Baseando-se nas análises e amostras que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) tem recolhido, o inspetor-geral deste organismo, Pedro Portugal Gaspar, concluiu que «é seguro comer carne picada».

«Não temos nenhum dado que aponte para alguma consideração menos recomendada deste consumo», afirmou.

Da reunião, saiu a opinião unânime de que tem sido feito um esforço profundo da melhoria da segurança alimentar em Portugal e que não está em causa minimamente qualquer área de intervenção de segurança alimentar para o consumidor, conforme afirmou Nuno Lima Dias.

Contudo, os participantes neste encontro constataram «a necessidade de intensificar a formação e a informação e a divulgação para o retalho e os diferentes operadores nesta área». Defenderam ainda a «avaliação e o reajustamento de alguns planos de controlo em áreas específicas onde exista maior probabilidade de gestão e risco».

«Vamos continuar a acompanhar todos os aspetos higio-sanitários dos talhos e do retalho e a utilização ou não de substâncias não permitidas do ponto de vista legal», assumiu.

O secretário de Estado da Economia, Leonardo Matias, defendeu que, antes destes estudos serem divulgados, deviam passar primeiro pela Comissão de Segurança Alimentar para que não seja «uma comunicação de forma alguma alarmista».

Leonardo Matias ressalvou que «o universo das instituições que vendem carne é de 6.393. O estudo da DECO visitou 26, ou seja, 0,04 por cento do total dos estabelecimentos em Portugal».

O governante lembrou ainda que, em 2014, a ASAE inspecionou 676 estabelecimentos que vendem carne, o que representa 11 por cento do total.

«A DECO é um importante parceiro na defesa do consumidor e tem feito um trabalho excelente, que é importante que se mantenha. Tem é que ser construtivo com o governo e com a sociedade civil e que não seja de forma nenhuma alarmista para manter a sua credibilidade que é fundamental», reporta a Lusa.

A comissão da segurança alimentar é composta por 12 membros, representantes dos ministérios da Economia e Agricultura, da ASAE, direção geral e institutos, de confederações, como a dos agricultores CAP, de federações e associações, entre as quais a DECO e os representantes da grande distribuição APED.