O empresário de Bragança associado às alheiras alegadamente na origem de botulismo acusa as autoridades nacionais, nomeadamente o diretor-geral de Saúde, de mentirem aos portugueses por esconderem o envolvimento de grandes grupos económicos no processo.

Luís Portugal pede a demissão de Francisco George e diz que o vai processar por difamação, assim como as restantes entidades, depois de ter consultado o processo judicial ainda em curso e constatado que, afinal, os casos não estão confinados, como foi afirmado, à empresa de que é proprietário e a maioria é associada a produtos adquiridos em estabelecimentos comerciais de grandes grupos económicos.

“Estes senhores têm de vir publicamente dizer porque é que uma grande superfície que tem 294 lojas, cinco entrepostos não seria muito mais grave, o perigo da saúde pública não era muito maior aqui do que numa empresa como a Origem Transmontana que tem um nicho de clientes específico”, afirmou à Lusa.

O empresário pergunta porque é que as autoridades “mentiram” e afirmaram que os casos de botulismo - uma intoxicação que pode ser fatal - estavam só associadas à empresa de que é proprietário, quando no processo judicial, ainda sem conclusão, se verifica que “estão associados é a grandes grupos, grandes interesses económicos”.

Segundo disse à Lusa, depois de consultar o referido processo decidiu falar à Comunicação Social por ter constatado que a empresa de Bragança era referenciada em apenas em dois dos casos de botulismo alegadamente relacionados com alheiras consumidas na Tasca do Zé Tuga, de que é proprietário, em Bragança, num dos casos, e, noutro, compradas em Penafiel.

Luís Portugal queixa-se de ter sido vítima de “terrorismo pessoal e empresarial” e insistiu que “estes grupos (económicos) estão no processo e estão associados aos casos de botulismo” e que é necessário “perceber qual é o interesse desta gente em destruir a vida a uma pessoa, destruir uma empresa para alimentar os grandes grupos”.

O principal alvo das críticas do empresário é o diretor-geral da Saúde, Francisco George, que assegurou que os casos registados estavam confinados à empresa de Bragança e se deslocou a Trás-os-Montes para mostrar que era seguro consumir o fumeiro regional, numa sessão de degustação de alheira de Mirandela.

O empresário Luís Portugal anunciou que vai processar por difamação o diretor-geral de Saúde, assim como os restantes responsáveis que assinaram o comunicado conjunto, no final de setembro, a alertar para os casos de botulismo e a anunciar a retirada do mercado de alheiras e queijos da empresa “Origem Transmontana”.

O comunicado era assinado também pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.

O empresário não poupa críticas também às entidades locais, nomeadamente à Comunidade Intermunicipal (CIM) de Trás-os-Montes e ao presidente da Câmara de Bragança por não defenderem a empresa.

A “Origem Transmontana” foi criada há 12 anos e comercializava produção própria, mas sobretudo produtos regionais de qualidade adquiridos a produtores locais, desde queijos, a azeite, fumeiro ou compotas.

Luís Portugal espera faturar um milhão de euros em 2015, mas vai somar prejuízos já que embora não tenha fechado, a empresa deixou de vender, e vai fazendo negócio apenas na tasca com os estrangeiros que visitam o castelo de Bragança.

As autoridades não lhe encerraram nenhum dos estabelecimentos e só lhe apreenderam compotas que regressaram à antiga escola primária de Paradinha, que o empresário transformou numa unidade de produção.

Luís Portugal está convencido de que foi apontado por ser “uma figura pública que no mercado nacional era a referência da gastronomia de Trás-os-Montes, que estava entre os melhores chefes nacionais de cozinha, nas melhores lojas do país” e por se tratar de “uma marca líder do mercado da qualidade em Portugal”.

Sobre as consequências que o processo acarretou também para os produtores de alheira de Mirandela, Luís Portugal sugere que se unam e que peçam “ao governo indemnizações fortes e claras e que venham a público, em mais uma almoçarada, pedir desculpa pública aos transmontanos”.