O produtor da marca de azeite Alfandagh refutou esta terça-feira os resultados de um estudo da DECO que concluiu que o produto transmontano vendido no mercado como biológico «nem sequer é azeite».

ASAE apreendeu mais de 33 mil litros de azeite

De acordo com a Deco, a marca Alfandagh, descrita no rótulo como «azeite virgem extra», de origem biológica, nem sequer é azeite, «tendo as análises comprovado a presença de outros óleos vegetais refinados que não o originário da azeitona».

O produtor de Alfândega da Fé, no Distrito de Bragança, Artur Aragão, questiona o estudo da associação de defesa do consumidor e entende que «os resultados são antagónicos», na medida em que a «análise sensorial apresenta um resultado de azeite virgem extra e depois a análise química apresenta resultado de um azeite que nem sequer é azeite».

«Quando num estudo se faz referência a uma marca quando se fez apenas análise de um lote estamos a ser no mínimo um pouco irresponsáveis porque estamos a acusar uma marca quando num pequeno lote pode ter acontecido um problema qualquer», declarou à Lusa.

Artur Aragão garantiu que os seus produtos são certificados por uma empresa externa «desde a apanha da azeitona até ao ponto de venda».

«Estamos continuamente a ser fiscalizados e de uma forma às cegas, sem o nosso conhecimento, por isso nunca se correia o risco de por em causa o trabalho de uma vida», reiterou.

Adiantou ainda já ter solicitado à empresa certificadora que proceda à contra-análise do produto.

«Eu sou o que mais interesse tem em saber o que realmente aconteceu porque somos os únicos prejudicados nesta situação», afirmou.

O produtor indicou que se trata de um lote de 456 garrafas de azeite biológico vendido em março para os supermercados e que, neste momento, já não existirá sequer no mercado por já ter sido todo vendido.

A DECO avançou que a ASAE iria retirar este produto do mercado. Artur Aragão afirmou à Lusa que a entidade de fiscalização da segurança alimentar ainda não lhe comunicou nada.

O produtor afirmou já ter conversado com o advogado para estudar «a possibilidade de, através dos meios jurídicos e judicias ao dispor, limpar o nome e a imagem com que a marca ficou».

Segundo disse, o lote em causa representa mil euros.

A Casa Aragão é um negócio de família com várias gerações, tendo sido responsável, há 20 anos, pelo lançamento do primeiro azeite biológico português e pioneira na produção de Azeite com Denominação de Origem Protegida (DOP) Trás-os-Montes.

Colocou no mercado o primeiro azeite com rótulo em Braille e nos últimos dois anos lançou novos produtos como um azeite para crianças e outro com ouro.

Vende anualmente, em média, entre 200 a 250 mil garrafas das várias marcas que produzem para mercados como Portugal Brasil, França, Luxemburgo e Bélgica e mais recentemente para os mercados asiáticos e Estado Unidos da América.

As exportações representam 40% da faturação anual com os diferentes produtos que têm arrecadado vários prémios internacionais, acrescenta a Lusa.