Portugal é dos países europeus com mais dias de sol. Mas algo visto como bom, pode significar para algumas pessoas problemas na pele. Parece mentira, mas há pessoas que têm alergia ao sol. Em termos médicos falamos da lucite estival.

“É uma situação frequente, mas também é uma situação que muitas vezes passa despercebida, porque muitos doentes têm formas muito ligeiras desta doença”, afirmou o dermatologista Rui Tavares Bello, no programa Diário da Manhã, na TVI.


E como se manifesta? “É um tipo de erupção que a aparece normalmente após as primeiras exposições”, explica o especialista. São “borbulhas, por vezes placas, que são borbulhas muito confluentes. Vermelhas, com um prurido muito intenso na zona do decota, na cara, nas mãos, nos pés”, acrescenta.
 

Segundo este especialista, as pessoas nem sempre percebem que é uma doença e associam as borbulhas a “cremes e roupas”. Até porque, as manifestações não acontecem forçosamente “no pico do verão, podem surgir logo a partir da primavera, com as primeiras exposições”.


Rui Tavares Belo lembra que todos devem ir ao médico quando surge algo assim na pele: “Por vezes isto pode ser uma manifestação ou a expressão de uma outra doença… como, por exemplo, o lupus eritematoso”.

Curiosamente, mais importante que o tipo de pele, seja ela clara ou mais escura, o que mais afeta “é a localização onde as pessoas vivem”.

“É raro haver estas manifestações ou esta doença nas zonas tropicais ou equatoriais. Porque o nível de radiação permanente faz com que haja uma espécie de vacina”, explica.


Se não for devidamente tratada a alergia ao sol pode causar problemas maiores, como eczemas e infeções. E aqui o ideal é a prevenção e o tratamento. Há medicamentos que ajudam e até a exposição a luzes ultravioleta, um mês antes, da exposição solar, pode minimizar os efeitos do problema. 

O protetor solar não resolve o problema. Rui Tavares Belo lembra que “os foto-protetores devem ser escolhidos de acordo com cada pele e são apenas um dos métodos. A aplicação de anti-histamínicos também não resolve e até pode criar ainda mais alergias. Os corticoides devem ter uma utilização controlada”.
 

Outro alerta deixado por este especialista prende-se com a idumentária. Ao contrário do que as pessoas pensam “uma t-shirt de algodão não protege”. Esta peça de roupa equivale a um índice de proteção inferior a dez. Mas já existem no mercado indumentárias, em fibra, próprias para a exposição solar.


Estima-se que 5 a 10 % das pessoas sofram de alergia ao sol. É um problema que afeta principalmente as mulheres de pele clara. Sendo que 95% são jovens entre os 15 e os 35 anos.