O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) participou, esta terça-feira, numa operação, que decorreu em simultâneo na Alemanha, e que levou ao desmantelamento de uma rede de casamentos de conveniência, tendo sido detidas cinco pessoas e executadas cerca de 50 buscas.

Em comunicado, o SEF adianta que a investigação foi liderada pela Policial Federal Alemã e Departamento de Investigações Criminais de Berlim e que foram emitidos sete mandados de detenção europeus.

No decurso das buscas na Alemanha e em Portugal foram apreendidos passaportes, certidões de casamento, meios informáticos e telemóveis e outra documentação relacionada com os crimes em investigação, bem como centenas de milhares de euros em dinheiro.

Em Portugal, indica o SEF, foram ainda constituídos quatro arguidos e realizados interrogatórios.

A investigação teve início em outubro de 2016 com base em suspeitas de auxílio à imigração ilegal através de casamentos de conveniência e falsificação de documentos, tendo sido identificado uma rede organizada, de origem nigeriana, que operava na Alemanha, na Nigéria e em Portugal.

A rede, segundo o SEF, estava envolvida na organização de supostos casamentos de conveniência entre cidadãos estrangeiros em situação ilegal na União Europeia e cidadãos comunitários, maioritariamente portugueses.

Com recurso a falsificação de documentos a rede forjava registos de casamento e outra documentação tendo em vista contornar o sistema de concessão de autorizações de residência e de asilo e em Portugal recrutava potenciais nubentes que transportava para a Alemanha a fim de simular as supostas relações matrimoniais a troco de dinheiro”, lê-se no comunicado.

A Europol colocou no terreno dois analistas (um em Portugal e um na Alemanha) que deram apoio direto aos investigadores.

A operação de hoje foi a segunda de grande dimensão desencadeada nos últimos meses pela polícia germânica contra os vistos fraudulentos.

Em junho, a polícia germânica desmantelou uma rede de “falsos pais”, pela qual homens alemães eram pagos para incluírem o seu nome em certificados de nascimento de crianças de imigrantes provenientes do Vietname, diversas regiões de África e do leste europeu.

Os bebés garantiam de imediato cidadania alemã, permitindo que as suas mães requeressem autorizações de residência.