A advogada de Fernando Mendes e Joaquim Costa, dois dos quatro detidos por suspeitas de comparticipação às agressões aos futebolistas e equipa técnica ‘leoninos' manifestou-se esta sexta-feira contra o julgamento público de que têm sido alvo os seus constituintes.

Acho um bocadinho estranho isto ser considerado terrorismo. A ideia que tenho, desde o primeiro dia, é que vão ficar todos presos, mas eu sou advogada e vou morrer a recorrer, para que se faça justiça", afirmou Sandra Martins aos jornalistas, à saída do Tribunal do Barreiro, onde os quatro arguidos detidos na quarta-feira estão a ser ouvidos.

De resto, a advogada de Fernando Mendes, que é o segundo dos arguidos a prestar declarações hoje, depois de ‘Aleluia' ter sido o primeiro, disse não perceber por que este é "um caso público" e apontou o dedo à comunicação social.

Não sei por que é um caso público, não sei o que está por trás. Eu sou muito pequenina tendo em conta aquilo que se passa. Sigam o dinheiro, vão atrás do dinheiro", disse.

Nunca vi na minha vida, um par de estalos e um cinto espetado na cabeça de um jogador de futebol que - porque ganha muito mais dinheiro do que eu e do que a senhora - ser considerado um crime de terrorismo", acrescentou a advogada, respondendo a uma jornalista.

E reforçou a sua posição: "Se eu considero que o Whatsapp é uma forma de 20 ou 30 miúdos encetarem um ataque terrorista? Devem ser a Al Qaeda, só pode!".

"Esperança que saia em liberdade"

Já o advogado de Nuno Torres, o condutor da viatura que no dia das agressões entrou nas instalações da Academia do Sporting, em Alcochete, e retirou alguns dos alegados agressores, disse não ver razões para que seja aplicada prisão preventiva ao seu cliente.

Tenho esperança que o Nuno saia hoje em liberdade. Até agora, não vejo razões para que seja decretada prisão preventiva, mas pode acontecer. Há condições para ele sair em liberdade, mas espero que, da outra parte, aceitem os nossos argumentos", referiu Francisco Macedo, à saída do tribunal para a pausa para almoço.

O causídico reforçou o que tinha dito na véspera, afirmando que os quatro detidos "estiveram em Alcochete, mas nada têm a ver com o caso" das agressões à equipa técnica e jogadores do Sporting.

Os quatro detidos na quarta-feira por suspeitas de coparticipação na invasão de instalações e agressões aos futebolistas e equipa técnica do Sporting na Academia do clube, em Alcochete, começaram hoje a prestar declarações no interrogatório judicial.

Após identificação dos arguidos, em comunicado distribuído aos jornalistas, o juiz de instrução criminal do Tribunal do Barreiro confirmou que todos os arguidos decidiram prestar declarações e que os trabalhos foram suspensos, porque os advogados pediram para consultar a informação disponível nos autos.

Entre estes quatro detidos estão o ex-líder de claque do Sporting Juventude Leonina Fernando Mendes e o condutor e os ocupantes da viatura que no dia das agressões entrou nas instalações da Academia do Sporting em Alcochete e retirou alguns dos alegados agressores.

No dia 15 de maio, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram técnicos, jogadores e ‘staff'.

Na altura a GNR deteve 23 dos atacantes, que permanecem em prisão preventiva.