A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) explicou nesta quarta-feira que, para além da rotura na conduta de água, três descargas de águas tratadas e de cultivo estiveram na origem da «praga de mosquitos» no concelho de Silves.

Em comunicado, a APA refere que, naquilo a que chama um «improvável acaso», este ano ocorreram descargas simultâneas na Várzea de Alcantarilha «de água tratada das ETAR, águas provenientes das práticas comuns do cultivo do arroz e da manutenção da ETA de Alcantarilha, gerida pela empresa Águas do Algarve».

«A conjugação destas diferentes origens de água levou a um acréscimo concentrado de água na Várzea de Alcantarilha, do que resultou um aumento da área do plano de água desta Várzea com reduzida profundidade e em zonas onde existe abundância de vegetação, constituindo condições privilegiadas para a proliferação de mosquitos», acrescentou a APA.

Assim, como refer a agência Lusa, as autoridades têm «procurado reduzir significativamente ou, se possível, cessar a chegada do caudal à Várzea».

Na terça-feira, a APA realçava esperar que, com o reforço da desinfestação que tem sido efetuado nos últimos dias pela Câmara Municipal de Silves, «os mosquitos desapareçam gradualmente nos próximos dias».

No final de julho, a Câmara de Silves, reunida com autoridades de saúde e do ambiente, anunciou que ia intensificar e alargar a desinfestação de mosquitos em Armação de Pêra, uma situação que tem gerado queixas na zona.

O presidente da Câmara, Rogério Pinto, explicou que esse reforço de esforços tem estado a decorrer, tendo-se passado de uma para três aplicações de produtos contra os mosquitos.

Já antes, o autarca havia afirmado que todos os anos é articulada com a Administração Regional de Saúde do Algarve uma desinfestação em determinados locais, entre os quais Alcantarilha, mas este ano tem-se verificado «uma situação atípica».

«Esta praga surge na ribeira de Alcantarilha devido a vários fatores», nomeadamente a grande pluviosidade da estação de inverno o facto de se encontrar «obstruída por um canavial», não ser alvo de limpeza «há décadas» e, além disso, «o mais grave, é que é alvo de descargas constantes de esgotos domésticos a céu aberto», argumentou a Junta de Freguesia de Alcantarilha, em comunicado divulgado há duas semanas.