O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP abriu um processo de averiguações para apurar o que se passou no domingo, em Alcântara, em que alguns dos cinco jovens detidos acusam a Polícia de agressão.

Em comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP refere que cinco homens foram detidos, às 09:15 de domingo, em Alcântara, no seguimento da identificação de um suspeito.

Segundo a PSP, um dos homens foi detido por resistência e coação e quatro por tentativa de obstrução na realização da primeira detenção.

O Cometlis adianta que, no seguimento desta intervenção, ficaram feridos um polícia, que necessitou de receber tratamento hospitalar, e um dos detidos.

O advogado de um dos detidos, Pedro Rocha Santos, disse à agência Lusa que ficaram feridos dois jovens, tendo um deles um braço partido e o outro várias mazelas provocadas por muros e pontapés, alegadamente sofridos dentro da esquadra da PSP do Calvário.

Carlos Cabral, agente principal da PSP aposentado e pai de um dos jovens, relatou no domingo à Lusa que a situação começou de manhã, quando o seu filho, juntamente com um grupo de amigos na casa dos 20 anos, saía da discoteca Luanda, em Lisboa.

Um desses jovens encontrava-se encostado ao capô de um carro quando foi abordado por elementos da polícia tendo alegadamente, depois, levado dois murros na zona do peito.

De acordo com o pai, o rapaz agredido foi levado à esquadra do Calvário para identificação e revista e, quando ia a abandonar as instalações, reparou que um dos amigos estava a ser agredido dentro da esquadra.

Segundo este pai, o seu filho terá sido alvo de uma detenção ilegal, uma vez que foi à esquadra para revista e identificação, foi mandado embora, sendo depois detido quando se apercebeu que um amigo estava a ser agredido por um polícia.

Carlos Cabral, que foi agente da PSP durante mais de 30 anos, dirigiu-se, entretanto, à esquadra para se inteirar da situação do filho e relata ter sido alvo de um «aparato policial completamente descabido» e um tratamento humilhante e pautado por falta de dignidade.

Dois dos jovens passaram a noite na esquadra e esta segunda-feira todos os detidos foram a tribunal para serem ouvidos em julgamento sumário, que foi adiado para 6 de novembro, adiantou o advogado Pedro Rocha Santos.

O advogado adiantou que vai apresentar queixa ao Ministério Público contra o agente e fazer uma participação, junto do Ministério da Administração Interna, devido «à conduta do comandante da esquadra do Calvário, que permitiu que tal acontecesse».

«Dois jovens foram espancados brutalmente dentro duma esquadra», disse.