A «qualidade e raridade» das fotografias do século XIX que constituem o Álbum Setubalense levaram à classificação daquele património «bem de interesse nacional». Uma distinção atribuída pelo Governo português-

Comentando a classificação, esta semana publicada em Diário da República,Carla Barros, do Centro Português de Fotografia, disse à agência Lusa que «o `Álbum Setubalense´, de Anthero Frederico Ferreira de Seabra (1821-1883), foi classificado pela raridade e qualidade das fotografias, mas também pela importância do autor na história da fotografia em Portugal».

Constituído por um conjunto de doze fotografias de Setúbal no século XIX, o `Álbum Setubalense´ mostra com era a cidade naquela época, através de vistas panorâmicas e de imagens das igrejas de Santa Maria e São Julião, ruínas do Convento de São Francisco, Praça de Palhais, antigo Liceu Municipal e Paços do Concelho.

Segundo Carla Barros, técnica superior do Centro Português de Fotografia, a utilização do processo fotográfico `albumina´ também foi um fator importante para a classificação das fotografias de Anthero Frederico Ferreira de Seabra como bem de interesse nacional.

«Trata-se de um processo fotográfico por exposição solar, que se caracteriza pela utilização de albumina (clara do ovo) e de nitrato de prata para tornar o papel mais sensível ao registo de imagens, através do contacto entre o negativo e o papel», explicou.

Estas provas fotográficas do `Álbum Setubalense´ foram, «seguramente, das primeiras fotografias efetuadas em Portugal, com o intuito de registar a topografia das cidades, como refere António Sena, autor da História da Imagem Fotográfica em Portugal 1839/1997», acrescentou.

O `Álbum Setubalense´, propriedade de um particular, permitiu complementar a documentação fotográfica sobre Anthero de Seabra, que já se sabia ter fotografado outras cidades, como Viana do Castelo, Guimarães, Braga, Porto, Coimbra e Lisboa.