Já há um ambiente de tréguas, em Canelas, com o novo padre da paróquia. O próprio Albino Reis anunciou que foram constituídos novos grupos de trabalhos pastorais para retomar de imediato as atividades da igreja, depois dos protestos populares contra a sua escolha. Até agora, tem sido sempre escoltado pela polícia, dado o sentimento de revolta da população, pelo anterior pároco ter sido afastado.

Na quinta-feira à noite, o novo padre reuniu pela primeira vez com os populares, no Salão Paroquial de Canelas, sob vigilância policial, e constituiu novos grupos de trabalhos pastorais para retomar as atividades na igreja, que entende não poderem estar paradas.

O padre Albino Reis anunciou que a paróquia de Canelas já tem catequistas, acólitos, leitores, cantores e ministros da comunhão, trabalhos pastorais que estavam parados porque as pessoas responsáveis se demitiram em protesto contra a substituição do anterior pároco.

Domingo após domingo, o novo padre da paróquia, Albino Reis, tem saído da igreja escoltado pela GNR e sob assobios, protestos e insultos de centenas de pessoas, que exigem à Diocese do Porto o regresso do antigo sacerdote, demitido no início deste mês.

Na sua breve apresentação, Albino Reis confessou que queria ser médico, mas rapidamente decidiu ser missionário, estando por isso 10 anos no Brasil. «Isto dá para perceber que não sou má pessoa», frisou.

À saída da reunião, o padre disse aos jornalistas estar «satisfeito» por terem comparecido cerca de 70 pessoas. «Já começamos a trabalhar. Estamos no bom caminho».

Sob reas manifestações de alguns paroquianos desde que chegou a Canelas, Albino Reis referiu apenas acreditar que «vai haver ordem».

A decisão de afastar o seu antecessor foi tomada em finais de julho passado pela Diocese do Porto, tendo chegado a haver um recuo a meio de setembro, mas a determinação ficou concretizada no início de novembro.

Um grupo de cidadãos formou então o movimento de apoio ao antigo padre «Uma Comunidade Reage!» e, ao longo de meses, organizou um cordão humano, uma vigília, uma marcha silenciosa e recolheu 5.800 assinaturas para um abaixo-assinado entregue na Diocese para evitar a destituição.

A partir de 9 de novembro, dia da tomada de posse do novo padre, centenas de populares decidiram não assistir à missa, concentrando-se à porta da igreja com bandeiras pretas, cantando e gritando «A igreja passou a tribunal, só saem com escolta policial» ou «Padre é só um, Roberto e mais nenhum».

Em anteriores declarações à Lusa, o dirigente do movimento de apoio adiantou já terem enviado uma carta para Roma e pedido uma reunião ao Núncio Apostólico.

O antigo sacerdote de Canelas dirigiu uma carta ao bispo do Porto, ameaçando divulgar uma história de «comportamentos indevidos» imputados a um colega de outra diocese, caso este não recuasse na decisão de o destituir.

Na sequência, o bispo revelou, num comunicado, que denunciou às autoridades um «caso grave de comportamento de um sacerdote», fora desta diocese e ocorrido em 2003.

A Arquidiocese de Braga assumiu que se trata de um padre de Fafe e que, «por prudência pastoral», o suspendeu.

O Conselho Presbiteral da Diocese do Porto manifestou, numa nota, «consternação» pelos protestos da população de Canelas.