O romance inacabado de José Saramago foi oficialmente apresentado esta quinta-feira, em Lisboa, pela presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río.

«É um dia contraditório…é um dia de emoção…de alegria mas é como se sentisse um vazio, pessoal, porque algo que era pessoal vai ser partilhado com milhões de pessoas», confessou Pilar del Río à TVI.

A viúva do escritor definiu, na edição de Setembro da revista «Blimunda», da Fundação José Saramago, o livro «Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas» como um romance sobre as armas e a responsabilidade cívica.

Aquando do seu falecimento, em 2010, José Saramago deixou trinta páginas escritas daquele que seria o seu próximo romance. Essas páginas continham um esboço do argumento, o perfil dos dois protagonistas e algumas perguntas que o preocupavam.

O título é emprestado da tragicomédia Exortação da Guerra, de Gil Vicente, e o protagonista é um funcionário de uma fábrica de armas que vive um conflito moral decorrente do seu trabalho.

«Na capa da edição portuguesa só aparece parte do título, a palavra «Alabardas», por questões gráficas e também por questões que têm a ver com a edição espanhola, explicou o diretor editorial da Porto Editora, Manuel Alberto Valente, na sessão de apresentação das novidades da rentrée.

Para além dos capítulos escritos pelo Nobel português de Literatura, o livro inclui um texto do escritor espanhol Fernando Gómez Aguilera e outro do italiano Roberto Saviano. Na capa são reproduzidas ilustrações do escritor alemão Günter Grass, Prémio Nobel de Literatura. 

A apresentação mundial da obra será feita às 18:30 desta quinta-feira na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II. Contará com a participação do professor António Sampaio da Nóvoa, do juiz Baltasar Garzón e do escritor Roberto Saviano. As ilustrações de Günter Grass que integram o livro serão projetadas.

A obra, da Porto Editora, encontra-se nas principais livrarias de Portugal desde 23 de setembro.