Os estudantes universitários chegam aos serviços de apoio psicológico «em grande sofrimento», porque adiam o pedido de ajuda e, quando o fazem, revelam, muitas vezes, ansiedade às avaliações e a falar em público.

A caracterização foi feita esta quinta-feira à agência Lusa por Isabel Gonçalves, presidente da Rede de Serviços de Apoio Psicológico no Ensino Superior - Associação Profissional (RESAPES - AP), à margem de um congresso, em Lisboa, sobre o tema, organizado pela entidade.

Segundo Isabel Gonçalves, a procura destes serviços «tende a aumentar», muito embora os alunos, quando recorrem a eles, por «iniciativa própria», já vão «em grande sofrimento», uma vez que adiam o pedido de ajuda pensando que conseguem resolver por si mesmos os problemas.

Aos psicólogos, adiantou, chegam casos de estudantes com baixo rendimento escolar, que têm ansiedade às avaliações e em falar em público, mas também alunos com depressão, porque se isolam, não conseguem adaptar-se, sentem falta da família e dos amigos que deixaram na terra onde nasceram e cresceram e perderam a excelência de resultados e o reconhecimento obtidos no ensino secundário.

A presidente da RESAPES lamentou que os serviços de aconselhamento psicológico no ensino superior «não tenham sido considerados uma prioridade» por parte da tutela, apontando, sem precisar o número, que alguns fecharam ou foram redimensionados com outras funções, devido aos cortes orçamentais nas universidades e nos institutos politécnicos.

«Os serviços considerados um complemento são os mais afetados pelos cortes», assinalou.

Isabel Gonçalves participou hoje no III Congresso da RESAPES - Novas Fronteiras para a Intervenção Psicológica no Ensino Superior, que decorre até sexta-feira, na Universidade de Lisboa.

O programa de sexta-feira inclui intervenções sobre comportamentos de risco, bem-estar e integração dos estudantes universitários.