A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) ajudou nos últimos dois anos mais de 200 familiares e amigos de vítimas de homicídios, consumados ou tentados, segundo um balanço divulgado esta quarta-feira.

A APAV criou no início de 2013 a Rede de Apoio a Familiares e Amigos de Vítimas de Homicídio, no pressuposto de que ainda que não sejam atingidos diretamente pelo crime sofrem os efeitos do mesmo.

A Rede tem âmbito nacional e a colaboração de 30 pessoas, combinando o apoio prático, social, psicológico e jurídico.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira a associação diz que em dois anos foram apoiados 99 familiares e amigos de vítimas de homicídios consumados e 119 familiares e amigos de vítimas de homicídio tentado. O apoio, diz-se, expressou-se em 1.200 atendimentos especializados.

Ainda de acordo com a mesma fonte a APAV criou no ano passado um Observatório de Imprensa de Crimes de Homicídio em Portugal e de Portugueses no Estrangeiro, para compreender melhor o fenómeno e recolhendo os dados nos órgãos de comunicação social.

Num ano (2014) o Observatório contabilizou 127 homicídios ocorridos em Portugal e 33 no estrangeiro que tiveram portugueses como alvo.

Sempre tendo como fonte as notícias na imprensa, o Observatório junta e cruza os dados e concluiu que em Portugal foi o distrito de Lisboa o que registou mais homicídios (27), seguindo-se Setúbal, com 19, e depois Faro e Porto, ambos com 11 casos cada.

A maio parte dos crimes aconteceu na via pública (43), seguindo-se como local a residência da vítima (26 casos) e depois, com menos um caso, a residência comum. Doze aconteceram no local de trabalho e nove em automóvel.

Ainda de acordo com as estatísticas da APAV o mês com mais homicídios foi o de novembro (20), seguindo-se julho com 13 e março com 12. A violência doméstica, com 48 homicídios, surge à frente da lista de motivos do crime, e a arma utilizada mais vezes é a arma branca (facas por exemplo), seguindo-se a arma de fogo.

No documento a APAV nota que o maior número de crimes ocorreu quando a vítima e o homicida mantinham uma relação conjugal, seguindo-se como maior registo quando a vítima e o homicida se conheciam, e depois quando havia uma relação parental (pais e filhos poe exemplo).

Em relação às vítimas de homicídios não hão grandes diferenças de género, contabilizando-se 60 mulheres e 67 homens, mas o caso muda quando se olha para o quadro dos homicidas referidos nas notícias, sete mulheres e 89 homens.

Quanto aos portugueses mortos no estrangeiro, ainda segundo o Observatório, dos 33 casos seis foram na Venezuela, cinco foram em Angola, quatro no Brasil e outros quatro em França.

A maior parte dos crimes ocorreu na via pública, tendo como alvo homens e como móbil o roubo.