A missão portuguesa junto do comando da operação FRONTEX, que o ministro da Defesa visitou esta quarta-feira na cidade espanhola de Málaga, salvou 733 pessoas entre 2011 e 2013, em 274 missões de combate à imigração ilegal.

«Os meios com que nós participamos são aqueles que são solicitados pela FRONTEX. É um convite às forças portuguesas, neste caso à Força Aérea, e por ser um convite é em si a expressão da excelência da Força Aérea», afirmou José Pedro Aguiar Branco.

O ministro da Defesa Nacional visitou hoje o comando da operação da Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia (FRONTEX), em Málaga, em que Portugal participa com 15 militares, um agente do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e a aeronave C-295M VIMAR.

Aguiar Branco sublinhou que a missão primária de combate à emigração ilegal é também uma missão de combate indireto ao terrorismo, que tem nas redes de emigração ilegal uma das principais fontes de financiamento, a par do narcotráfico.

«Esse é um combate feito de forma indireta, ainda bem mais relevante para a segurança das pessoas», destacou.

As operações redundam frequentemente em processos de salvamento, dadas as condições em que os imigrantes, vindos do Norte de África, viajam, muitas vezes em «condições sub-humanas, na perspetiva de virem a encontrar uma vida melhor na União Europeia», conforme relatou o capitão navegador Hugo Ferreira, coordenador tático da C295, da esquadra 502.

Desde 2011, quando Portugal começou a participar na FRONTEX, até à última quarta-feira, as missões portuguesas salvaram 733 pessoas, em 274 missões, em que percorreram 14 milhões de quilómetros quadrados, totalizando quase 1400 horas de voo.

Os responsáveis da missão enfatizaram a mudança da opinião pública europeia relativamente a estas operações.

«A opinião pública já começa a ter a perceção do papel da FRONTEX e da importância que tem nestas operações de combate à imigração ilegal, mas mais de combate às redes de imigração ilegal. Não se pretende punir o imigrante ilegal mas sim os responsáveis das redes que obtêm muitos lucros com estas atividades», disse aos jornalistas Pedro Matos, inspetor do SEF, em representação do diretor nacional na visita a Málaga.

Questionado pelos jornalistas sobre o futuro das pessoas intercetadas pelas operações, nomeadamente se são maioritariamente repatriadas ou pedem estatuto de refugiado ou asilo político, Pedro Matos remeteu esse tipo de informações para as autoridades espanholas, que são responsáveis pelo «acolhimento», relata a Lusa.