O ministro da Defesa afirma que gostaria de ter melhores condições para as Forças Armadas cumprirem as suas missões mas fez depender essa melhoria do «equilíbrio das contas públicas» e recusou «riscos acrescidos».

Questionado sobre a adesão em bloco de 98 pilotos aviadores da Força Aérea à Associação de Oficiais das Forças Armadas, confirmada à Agência Lusa pelo presidente da AOFA, em sinal de insatisfação e protesto contra as condições de trabalho, as reduções remuneratórias, e de segurança, Aguiar-Branco começou por afirmar que a «liberdade de associação é um direito adquirido em Portugal».

«O meu interlocutor é o Chefe do Estado Maior da Força Aérea (CEMFA), é com ele que eu trabalho. É com ele que eu tenho feito toda a avaliação das condições da Força Aérea e todas as condições para operar melhor», afirmou Aguiar-Branco, esta segunda-feira, que falava aos jornalistas no final de uma visita à Base Aérea nº 6, Montijo.

Interrogado sobre se tem conhecimento da existência de descontentamento no ramo, Aguiar-Branco referiu que «o descontentamento que aconteceu em Portugal durante estes três anos é transversal».

«Os portugueses, os militares não são exceção, tiveram que passar por especiais sacrifícios para que o país saísse da bancarrota em que estava para a situação agora de um prudente otimismo. É evidente que nós desejamos que haja melhores condições para que as missões possam ser cumpridas», disse.

O ministro manifestou-se convicto de que «não há nenhum chefe que permita que alguma vez alguma missão seja cumprida sem estar devidamente treinada. Nem o ministro da Defesa alguma vez permitiria que se cumprisse uma missão sem estarem preenchidas todas as condições».

«Agora, como é óbvio nós pretendemos ter melhores condições, mais horas de treino para operar e isso, assim as condições das contas públicas o permitam assim acontecerá», disse.

O ministro da Defesa disse que «é feito o treino necessário para as missões serem cumpridas», referindo-se ao plano previsto para as forças nacionais destacadas em 2014.

«Em qualquer circunstância é sempre bom que haja a possibilidade de haver mais treino, melhor equipamento, mas não se retire daí que estas missões são cumpridas com um risco acrescido por não se ter feito o treino suficiente para elas, porque isso nem o ministro, nem o Chefe do Estado Maior da Força Aérea nem um comandante o permitiria porque isso seria por em risco de uma forma não aceitável as pessoas», disse.

Durante a visita à Base Aérea, na qual foi atribuída a medalha da Defesa Nacional a dois militares, o comandante da Esquadra 751, de busca e salvamento, João Carita advertiu que «só com treino realista, eficaz, permanente e constante se conseguirá manter o rigor na execução».

O comandante da esquadra disse «acreditar na hierarquia institucional para poder continuar a operar bem e em segurança».

Depois da intervenção do comandante da Esquadra 751, a mais antiga da Força Aérea, Aguiar-Branco já tinha afirmado que primeiro será necessário «fazer o equilíbrio das contas públicas para que seja possível disponibilizar o maior número de recursos financeiros para que as missões como esta sejam cumpridas».

«Acredito no espírito das Forças Armadas, têm sido exemplares nesta época crítica em se terem colocado na primeira linha dos sacrifícios, solidariedade, e na capacidade de cumprir a missão, Não há nenhuma missão que tenha deixado de ser cumprida», afirmou, considerando que as Forças Armadas e, o caso concreto da Força Aérea, «é um exemplo a seguir».