O ministro da Defesa considerou hoje a luta contra o movimento extremista Estado Islâmico como uma "guerra da vida contra a morte", sublinhando que todos têm obrigação de contribuir para a sua derrota.

"Esta não é uma guerra entre culturas, regiões ou civilizações, é uma guerra do bem contra o mal, uma guerra da paz contra o terror, é uma guerra da vida contra a morte", afirmou o ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, falando perante os 30 militares que partem na próxima semana para Bagdad para dar formação e treino ao exército iraquiano.


Sublinhando que todas as nações do mundo estão em guerra contra os terroristas que querem impor o seu domínio através de "força cruel", Aguiar-Branco lembrou a "dimensão da barbárie" a que se tem assistido, com sequestros, torturas, assassinatos de crianças e civis.

"O abusivamente autoproclamado Estado Islâmico é intrinsecamente contra a nossa identidade enquanto espécie humana, ofende, despreza e agride a dignidade do ser humano. De tal forma que o que parece impossível aconteceu: o combate ao dito Estado Islâmico uniu o mundo, uniu países tão diferentes como Israel ou o Irão ou os Estados Unidos da América ou a Rússia, como se o mundo nesta guerra tivesse feito uma pausa nos seus velhos conflitos e disputas em benefício de um valor maior: derrotar esta ameaça", acrescentou.


Ou seja, continuou, está-se perante "uma ameaça que afeta todos" e todos têm obrigação de contribuir para a sua derrota.

Já em declarações aos jornalistas, o ministro da Defesa adiantou que os 30 militares que vão partir na primeira semana de maio para Bagdad vão fazer formação e treino das forças iraquianas por um período de 12 meses.

"Quando fazemos formação e treino estamos a reforçar a capacidade das forças", sustentou, quando questionado que Portugal terá uma intervenção direta no combate ao movimento extremista Estado Islâmico.


Os 30 militares, entre oficiais, sargentos e alguns praças, vão participar conjuntamente com Espanha num campo de treino localizado a 50 quilómetros de Bagdad.

Além desses 30 militares, outros dois oficiais estarão nos quartéis generais para fazerem de oficias de ligação.

A decisão sobre o envio de militares portugueses para o Iraque foi tomada na reunião de 16 de dezembro de 2014 do Conselho Superior de Defesa Nacional, tendo na altura sido avançada a contribuição de Portugal com um contingente de "até 30 militares" durante este ano.