O Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) começou este domingo em Matosinhos uma formação que vai levar a mais cinco praias para ensinar os banhistas a lidar com os agueiros, um fenómeno responsável “por 80% das mortes por afogamento”.

Em declarações à Lusa, Olga Marques, do ISN, explicou que a iniciativa “gratuita” inclui o simulador de um agueiro, um “fenómeno natural identificado” que torna a “corrente marítima demasiado forte para lutar contra ela”, sendo por isso importante reconhecer a situação e evitá-la ou, caso contrário, “nadar ao longo da costa” e “flutuar e pedir ajuda”.

O problema é que, num agueiro, mal as pessoas levantam os pés, são logo arrastadas. O perigo é maior para quem não sabe nadar porque, normalmente, a pessoa entra em pânico e esquece-se de pedir ajuda. O importante é flutuar e pedir ajuda. Quanto a quem sabe nadar, a tendência das pessoas é nadar contra a corrente, o que é impossível num agueiro e a pessoa acaba por perder as forças”, descreveu a subtenente do ISN.

A iniciativa “Surf Salva para Todos”, que começou esta manhã na praia de Matosinhos e se prolonga durante a tarde, repete-se a 6 de agosto na praia de Carcavelos, no dia seguinte na praia da Fonte da Telha, a 13 de agosto na Praia da Rocha, a 14 de agosto na Praia dos Pescadores, Albufeira, e a 15 de agosto na praia de Montegordo.

O objetivo da ação é informar para evitar o risco. É mostrar como se identifica um agueiro para que os banhistas não se sujeitem a uma situação de risco”, explicou Olga Marques, admitindo que lidar com um agueiro não é algo que habitualmente se explique em aulas de natação para quem aprende a nadar.

De acordo com a subtenente, a identificação de um agueiro começa, desde logo, pela “mudança da tonalidade da água”: nos sítios onde se formam agueiros, a água fica com uma “tonalidade acastanhada e com espuma”, devido à “agitação das areias”.

Para além disso, trata-se de uma zona onde “a ondulação é quase nula”, quando mesmo ao lado há mais ondas, criando uma “falsa sensação de acalmia”, que leve a que o local seja aquele onde há “a tentação de a pessoa entrar”.

"Quando as ondas rebentam e fazem o retorno ao mar, formam uma espécie de canal com uma corrente muito forte para o mar. A tendência das pessoas é nadar contra a corrente, o que é impossível”, explica.

Por isso, a opção é “deixar-se levar pela corrente porque, à medida que se vão distanciando da costa, a corrente vai perdendo intensidade”, descreve a responsável do ISN.

Para além disso, os banhistas “devem nadar paralelamente à costa para fazer o retorno para a praia”.

Molhar os pés num agueiro não é problema, mas “mal a pessoa levanta os pés, é logo arrastada”.

A responsável do ISN esclarece que existem “agueiros súbitos, sobretudo em alturas de troca de marés e, nesses casos, é muito difícil identificá-los”, indicando que eles podem surgir em sítios onde não está hasteada a bandeira vermelha.

Existem outros fixos, que “podem ou não estar no mesmo local” da praia, mas “nas praias vigiadas existe sinalética própria para os identificar”, acrescenta a responsável.