O chefe do gabinete do presidente da Câmara de Águeda, Pedro Alves, disse hoje, no Tribunal de Aveiro, que o montante que terá sido desviado por uma antiga funcionária das piscinas municipais ronda os 90 mil euros.

A testemunha falava durante a segunda sessão do julgamento da antiga responsável pela faturação e entrega das receitas recebidas pelos utentes das piscinas, que responde por um crime de peculato e três de falsificação de documento.

Perante o coletivo de juízes, Pedro Alves contou que detetou irregularidades nas contas das piscinas em 2011, pouco tempo depois de assumir funções como diretor do departamento de divisão de desenvolvimento local, que supervisionava aquele equipamento desportivo.

A testemunha contou que questionou a contabilidade para saber qual a receita das piscinas que estava a entrar no município, tendo-lhe sido referido que há vários meses não entrava qualquer verba.

Isto espoletou logo em mim uma dúvida porque é que isto se estava a passar. Havia alguma coisa que não estava a bater certo", disse Pedro Alves, afirmando que, após algumas diligências, verificaram que estavam em falta cerca de 90 mil euros.

O chefe do gabinete do presidente da Câmara de Águeda contou ainda que, quando confrontaram a arguida com esta situação, ela terá dito que tinha cheques e dinheiro em casa que não tinha depositado por esquecimento, tendo posteriormente restituído cerca de 40 mil euros.

A mulher, que se remeteu ao silêncio no início do julgamento, foi imediatamente transferida para outro local de trabalho e foi instaurado um processo disciplinar que terminou com o seu despedimento.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), os factos ocorreram entre setembro de 2010 e maio de 2011.

Durante este período, a arguida ter-se-á apropriado de 82.739 euros que recebera de utilizadores da piscina como pagamento.

O MP considerou ainda indiciado que a arguida viciou três cheques que lhe tinham sido entregues para efetuar pagamentos ao município de Águeda e que os depositou na sua conta.

Segundo os investigadores, a mulher terá conseguido receber o valor monetário indicado num dos cheques, apropriando-se, assim, de mais 126 euros.