O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, afirmou que os agricultores portugueses devem ser compensados pela redução da produção. À entrada para a reunião onde vão estar os ministros da Agricultura da União Europeia, o governante português reagiu ao protesto dos agricultores portugueses que está a marcar esta segunda-feira. "Isso demonstra que há um problema e que esse problema tem de ser resolvido ou que temos de encontrar soluções para pelo menos os suavizar", reconheceu.

"Acho que os agricultores devem ser compensados pela redução da produção durante um determinado período e devem ser retirados do mercado os outros excedentes, nomeadamente através de mecanismos de intervenção, através de apoios à armazenagem privada."

Capoulas Santos sublinhou que é necessário "encontrar soluções para estabilizar a produção no futuro". Um conjunto de medidas que políticas que deverão passar pela "normalização das relações com a Rússia", pela "abertura de novos mercados", nomeadamente na América Latina e na Ásia, de forma a que os excedentes europeus possam ser canalizados para fora do velho continente.

O governante disse que interpreta a posição dos agricultores portugueses, que prometem para hoje a maior manifestação de sempre do setor, como uma posição de apoio.

"O facto de os agricultores estarem hoje a manifestar-se em Portugal demonstra que há um problema e que esse problema tem de ser resolvido, ou que temos de encontrar soluções para pelo menos o suavizar. Interpreto a posição dos agricultores portugueses como uma posição de apoio às minhas posições já que estou aqui a defendê-los."

Admitiu, no entanto, que não terá uma tarefa fácil neste encontro europeu. O titular da pasta da Agricultura considerou que "a maioria dos estados-membros continua a achar que o mercado resolve todos os problemas" e que quem não consegue competir "deve ser lançado para o lixo".

"Eu sei que não é uma tarefa fácil aquela que me espera hoje aqui. Uma maioria de estados-membros continua a achar que o mercado resolve todos os problemas e que aqueles que não conseguem competir neste mercado ferozmente competitivo devem ser lançados para o lixo. Não me conformo com essa posição."

Os produtores de leite e carne estão hoje em protesto pela "defesa da produção nacional". Largas dezenas de tratores partiram cerca das 11:00 de Vilar, Vila do Conde, numa marcha lenta em direção a Matosinhos, Porto, exigindo medidas para proteger o setor.

Organizada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pela Associação Portuguesa de Produtores de Leite e Carne (APPLC), em conjunto com outras organizações da lavoura, a iniciativa promete ser “a maior alguma vez realizada pelo setor em Portugal” e prevê ainda protestos junto a dois hipermercados.

O objetivo é “assinalar reclamações específicas perante as práticas comerciais abusivas” de que os produtores acusam as grandes superfícies comerciais e que, garantem, “têm contribuído para a grave crise que arrasa a pecuária nacional”, nomeadamente os produtores de leite e carne.