Os três seguranças detidos pela PSP por agressões a jovens junto às instalações da discoteca Urban Beach, em Lisboa, estão a ser ouvidos por um juiz de instrução criminal para aplicação das medidas de coação este sábado.

A audição dos três vigilantes de segurança privada, suspeitos de envolvimento nas agressões dois jovens que se encontravam nas imediações desta discoteca na madrugada de quarta-feira, decorre no Tribunal de Instrução Criminal, no Campus de Justiça de Lisboa.

O início da audição estava marcado para as 09:00, mas, entretanto, um oficial de justiça confirmou aos jornalistas que esta diligência foi adiada para as 13.30. 

Os advogados dos três seguranças chegaram aos Campus de Justiça entre as 09:00 e as 10.00 e disseram que os arguidos querem falar ao juiz.

Joaquim Oliveira, o advogado que representa o arguido Pedro Inverno, referiu que o seu cliente se mostrou arrependido e que terá agido por impulso mediante os factos.

Está arrependido pela atitude. Foi um dia infeliz, um momento infeliz para ele. É um sujeito de bom caráter."

O advogado acrescentou que a PSP foi chamada ao local, naquela madrugada, mas que demorou muito tempo. Joaquim Oliveira disse que se a PSP tivesse aparecido quando foi chamada "nada disto teria acontecido".

"A PSP foi chamada e demorou mais de 40 minutos. Se a PSP tivesse chegado quando foi chamada nada disto teria acontecido."

Outro advogado, José Carlos Cardoso, disse que "as histórias têm sempre um contexto" e que é importante "perceber o que se passou" na madrugada das agressões.  

O advogado sublinhou ainda que "se está a meter tudo no mesmo saco", quando o que está a ser discutido agora "é uma situação concreta" e não as 38 queixas que foram feitas contra o Urban. 

Se as pessoas olharem para isto de um ângulo diferente, o alarme social deixa de ser tão elevado. Estamos a tentar meter tudo no mesmo saco e o que se está a discutir aqui não são as 38 queixas contra o Urban nem o que aconteceu em Poritmão."

José Carlos Cardoso referiu, a este propósito, que o seu cliente "não quer ser Jesus Cristo e não quer expiar todos os pecados do mundo".

O que o meu cliente não quer ser é Jesus Cristo, não quer vir expiar todos os pecados do mundo. Temos que nos focar no que estamos a tratar e o que estamos a tratar é uma situação concreta e episódica. Se ela pode surgir num contexto mais vasto, ela não é para analisar aqui."

 

Seguranças foram detidos na sexta-feira

Na sequência das agressões registadas num vídeo que se tornou público, a PSP deteve, inicialmente, um segurança da discoteca Urban Beach, na madrugada de sexta-feira, por “fortes indícios” do crime de ofensas à integridade física graves.

Após a primeira detenção e ainda na sexta-feira, a direção nacional da PSP informou, em comunicado, que “mais dois suspeitos, sobre os quais tinham sido emitidos mandados de detenção pela autoridade judicial competente, já se encontram detidos em instalações policiais”.

Neste âmbito, a Polícia sublinhou que, após o registo da ocorrência, a análise do vídeo publicamente divulgado e de diligências policiais, foi possível identificar os agredidos e os vigilantes agressores.

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) destacou também que a PSP realizou, durante a madrugada de sexta-feira, “inúmeras diligências cautelares de recolha urgente de meios de prova para identificação dos respetivos autores dos crimes divulgados, efetuadas no âmbito do inquérito instaurado pelo Ministério Público”.

A investigação decorre no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, na unidade especial de combate ao crime especialmente violento (UECCEV), com a coadjuvação da PSP.

O Ministério da Administração Interna ordenou o encerramento do espaço na madrugada de sexta-feira, alegando não só o episódio de quarta-feira, mas também as 38 queixas sobre a Urban Beach apresentadas à PSP desde o início do ano, por alegadas práticas violentas ou atos de natureza discriminatória ou racista".

A discoteca vai ficar fechada durante seis meses.