O que se sabe?

 
A PSP identificou, ainda na quarta-feira, oito agressores. Quatro eram menores de 16 anos à data da gravação do vídeo e outros quatro tinham mais de 16 anos. O jovem alegadamente agredido pelos colegas tem agora 17 anos. Tinha 16 na altura em que as imagens foram gravadas.
 
Durante 13 minutos, o jovem é esbofeteado 30 vezes, leva onze murros e dois pontapés.
 
O vídeo só agora foi divulgado, mas já foi gravado no verão do ano passado, numa rua da Figueira da Foz.
 
A principal suspeita tem agora 15 anos. De acordo com o jornal “Correio da Manhã”, é aluna de um curso profissional, mas já foi transferida de escola porque reprovou por faltas no início do ano letivo. De acordo com o jornal, é considerada “agressiva” e “resolve tudo à pancada”.
 
A outra jovem que aparece nas imagens a bater no rapaz é também estudante de um curso profissional. É descrita pelos colegas como “muito influenciável” e tem amigos violentos.
 
O Ministério Público (MP) abriu um inquérito tutelar educativo aos agressores menores de 16 anos no caso ocorrido na Figueira da Foz e, quanto aos maiores de 16 anos, está a investigar as agressões e divulgação das imagens, revelou hoje o MP. 

A Procuradoria-geral da República adiantou à Agência Lusa que "existe um inquérito tutelar educativo no Ministério Público da Figueira da Foz", quanto aos agressores menores de 16 anos e que "foi também apresentada no Ministério Público, do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Comarca de Coimbra, uma participação, relativamente aos maiores de 16 anos, pelas agressões e pela divulgação das imagens, encontrando-se a mesma "em investigação". 
 

O que ainda falta saber?


Quem divulgou o vídeo? O vídeo surgiu no Facebook na última terça-feira, quase um ano depois de as imagens terem sido registadas. Não se sabe ainda exatamente quem o divulgou e, sobretudo, não se sabe quais as razões por que só agora o fez.
 
Como surgiu agora o vídeo? As notícias e os posts publicados nas redes sociais dizem que o vídeo estava no cartão de memória do telemóvel de uma das agressoras e que foi deixado num bar. Mas onde exatamente foi encontrado esse cartão? Em que circunstâncias?
 
Quem gravou as imagens? A autoria das imagens é ainda um mistério. Estará a pessoa que segurava o telemóvel entre os oito identificados pela PSP ou será uma nona pessoa?
 
Que circunstâncias estiveram por trás das agressões? Nas imagens, é possível ver duas jovens a bater num rapaz. É possível também ver outro rapaz a segurar, a determinada altura, as mãos da vítima. É ainda possível ver outros jovens e ouvir alguns a rir. Mas não é possível perceber que circunstâncias deram origem às agressões. Há jornais que contam que a vítima descobriu uma alegada traição de uma das agressoras e contou ao namorado desta. Outros jornais dizem que o jovem lançou um piropo a uma delas e que foi isso que deu origem ao episódio registado em vídeo.
 
Terá sido a primeira vez? O diretor da escola frequentada pelo rapaz alegadamente vítima de agressões garante que se trata de um bom aluno, com um comportamento exemplar, que, em circunstância alguma, ao longo dos últimos meses, deu sinais de ter sido vítima deste tipo de comportamento. Mas a pergunta impõe-se: foi um episódio único e isolado ou já tinha havido ou houve outras agressões?
 
Que relação existe entre os jovens protagonistas do vídeo? Sabe-se que os oito jovens identificados pela PSP e a vítima têm idades muito próximas. Sabe-se também que não frequentavam todos o mesmo estabelecimento de ensino. Mas afinal o que liga alegados agressores e vítima e o que liga os alegados agressores entre si?