O presidente da Associação dos Diretores de Segurança de Portugal (ADSP) defendeu esta sexta-feira a corresponsabilização criminal e civil dos proprietários das discotecas e outros estabelecimentos de diversão noturna pelo comportamento e atos dos seus seguranças.

Ludovico Jara Franco, que falava à agência Lusa a propósito das agressões ocorridas à porta da discoteca lisboeta Urban Beach, referiu que a lei da segurança privada está para ser mudada há já dois anos, tendo a ADSP enviado há cerca de ano e meio as suas propostas de alteração para uma melhor regulamentação do setor.

O presidente da ADSP, que lamentou os incidentes verificados à porta do Urban Beach e a "violência gratuita" visível nas imagens, revelou ter ainda proposto ao MAI que os estabelecimentos de diversão noturna tenham obrigatoriamente um "diretor de segurança" que "monitorize" a atuação dos seguranças.

Além disso, Ludovico Jara Franco entende que a lei de segurança privada, que tarda em ser alterada, devia impor um sistema de "quotas" que impedisse que uma empresa de segurança se dedique unicamente a fazer a segurança de espaços de diversão noturna.

O mesmo responsável notou, contudo, que esse não é o caso da empresa que faz a segurança do Urban Beach.

Quanto às agressões ocorridas à porta do Urban Beach, o presidente da ADSP acredita que aquele tipo de comportamento "não começou naquela noite", sendo antes uma "prática reiterada", tendo em conta o historial de queixas que existe relativamente àquela discoteca.

Ludovico Jara Franco mostrou-se ainda preocupado com o facto de existirem pessoas a fazer segurança privada sem "cartão de segurança", desenvolvendo um trabalho "ilegal" que escapa muitas vezes à fiscalização da PSP.

A existência destes seguranças à margem da lei é, em sua opinião, um "risco acrescido" para um setor que devia transmitir segurança e não insegurança.

Outro problema identificado pelo presidente da ADSP prende-se com o facto de, em virtude de a lei impedir que pessoas condenadas sejam sócio-gerentes de empresas de segurança, tornou-se prática reiterada estas pessoas arranjarem um "testa de ferro" para ficar à frente da empresa, embora recebendo ordens de quem é o verdadeiro proprietário.

Para evitar situações desta natureza, Ludovico Jara Franco diz ser necessário proibir que pessoas condenadas frequentem os estabelecimentos de segurança privada ou que sejam colocadas disfarçadamente nos serviços administrativos, mas a mandar realmente na empresa.

A PSP deteve esta sexta-feira três seguranças envolvidos nas agressões nas agressões a jovens junto às instalações da discoteca Urban Beach na madrugada de quarta-feira.

Na sexta-feira, O Ministério da Administração Interna ordenou o encerramento do espaço, alegando não só o episódio de quarta-feira, mas também as 38 queixas sobre a Urban Beach apresentadas à PSP desde o início do ano, por alegadas práticas violentas ou atos de natureza discriminatória ou racista".