Tem a palavra, a Justiça. Ou seja, tudo depende do inquérito judicial em curso sobre os acontecimentos ocorridos na passada quarta-feira, em Ponte de Sor, em que o jovem Rúben Cavaco, de 15 anos, foi brutalmente espancado. Presumivelmente pelos dois filhos gémeos do embaixador iraquiano em Lisboa.

Em declarações à TVI, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, garante que o Governo está pronto para pedir o levantamento da imunidade diplomática dos filhos do embaixador Saad Mohammed Ali, caso o Ministério Público o venha a solicitar.

A intenção de poder encetar esta diligência diplomática já terá sido comunicada ao próprio embaixador iraquiano, numa reunião ocorrida na tarde de segunda-feira. Mas o processo só será desenvolvido, quando e caso o inquérito do Ministério Público o solicite.

À espera da Justiça

À TVI, o ministro Augusto Santos Silva revelou que, no dia de segunda-feira, a diplomacia iraquiana transmitiu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros "certos elementos, que carreámos para o Ministério Público", de forma a apurar-se "a verdade dos factos".

Sem precisar se estes dados adiantados pelos iraquianos correspondem à versão, entretanto divulgada num comunicado em árabe, de que os filhos do embaixador terão agido em "legítima defesa", o ministro português disse acreditar que as autoridades iraquianas estarão dispostas a colaborar com a Justiça.

Internado em estado crítico

Quarta-feira, Rúben Cavaco, um jovem de 15 anos terá sido atropelado e depois agredido em Ponte de Sor, distrito de Portalegre, tendo sofrido múltiplas fraturas. Foi transportado para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde ainda se encontra internado em estado considerado grave.

Os dois rapazes suspeitos da agressão são filhos do embaixador do Iraque em Lisboa, Saad Mohammed Ali, e têm imunidade diplomática. Decorre um inquérito judicial para apuramento dos factos, sendo que, ouvido pela TVI, o ministro Augusto Santos Silva nada adiantou quando questionado se os dois rapazes ainda estarão em território português.

Num comunicado conhecido segunda-feira, escrito em árabe e sem tradução disponível, a embaixada do Iraque em Lisboa alega que os filhos do embaixador agiram em legítima defesa, depois de terem sido agredidos e insultados por seis pessoas em Ponte de Sor.

Afirma-se também que a missão diplomática iraquiana em Lisboa iria apresentar uma queixa contra um grupo de seis jovens. Até ao momento, a Procuradoria-Geral de República não regista qualquer participação, como foi referenciado à TVI24.